Arquivo da tag: Salvador Dalí

11/05/2015_10:00

por MILENA COPPI

Mais uma vez o Centro Cultural Banco do Brasil trás para o País a exposição de um pintor modernista espanhol. A primeira, sobre o surrealista Salvador Dalí, levou 978 mil pessoas à unidade do Rio, entre maio e setembro. Agora, é a vez do cubista Pablo Picasso invadir as galerias do CCBB-SP e Rio.

Intitulada “Picasso e a modernidade espanhola”, a exposição trás cerca de 90 obras antes só vistas no Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofía, em Madri. É uma boa oportunidade para os brasileiros, que são fãs do pintor, mergulharem no universo do espanhol que dedicou sua carreira a retratar mulheres — na maioria das vezes, suas esposas e amantes (e, coincidentemente, todas francesas!).

Quadros icônicos como “Cabeça de mulher” (1910) e “Retrato de Dora Maar” (1939) são algumas das obras que representam a fixação do pintor pelo universo feminino. Esse aspecto, aliás, levou diversos críticos a dividirem sua carreira em fases com os nomes de suas mulheres – “era Fernande”, “fase Marie-Thérèse”, “período Dora Maar”, entre outras. “O Pintor e a Modelo” (1963), também exposta durante a mostra, é outra obra em que o pintor explora sua visão particular, e muito original, de representar o corpo feminino.

Picasso, no entanto, não era um pintor de uma obra só. Dono de um talento nato para as artes — que sem dúvida herdara do pai, o também artista José Ruiz Blasco —, o pintor mudou seu estilo de pintura diversas vezes na vida. Em suas obras é possível perceber a transição: de sua fase azul, conhecida por pinturas com personagens tristes, usando apenas tons de azul, à fase rosa, quando conheceu sua mulher Fernande Olivier e passou a retratar temas alegres.

Esta fase, no entanto, não durou muito tempo. Logo, Picasso retornaria a tons mais sombrios, buscando influências em esculturas africanas que serviram de estímulo para buscar novas formas de mostrar e interpretar a realidade.

Este foi o pontapé para que, juntamente com o pintor francês Georges Braque, criasse o cubismo, considerado um dos movimentos mais importantes da história da arte moderna. Estudos e esboços de “Guernica”, uma das obras mais importantes dessa fase, estarão em cartaz na exposição que trás também criações de 35 outros artistas espanhóis. Entre eles, Salvador Dalí, seu ex mestre, e seu amigo Joan Miró.

“Picasso e a modernidade espanhola”, fica em cartaz até 8 de junho no CCBB-SP, quando desembarca na sede do Rio, e permanece de 24 de junho a 7 de setembro.

08/08/2014_15:00

por MARIANA BUARQUE

Uma dupla de artistas surrealistas, que nunca se encontram mas aparecem juntos na histórica colagem que reproduzimos abaixo, aportou no Brasil em julho, acompanhado de outro pintor igualmente polêmico. É uma feliz coincidência: a maior retrospectiva do catalão Salvador Dalí acontece no Rio de Janeiro na mesma época em que a mostra de fotografias da mexicana Frida Kahlo é montada em Curitiba.

Em São Paulo, no entanto, são as gravuras de Francis Bacon, que por oito anos tiveram a autenticidade discutida (já que ele só pintava e o trabalho como desenhista foi mantido no anonimato), que chama atenção do povo das artes visuais.

Francis Bacon, um dos artista mais valorizados do século XX, ganha voz na exposição  “Italian Drawings”, que ocupa o  Paço das Artes, na USP. São 43 gravuras inéditas no País, selecionadas dentre as 350 que foram presenteadas ao namorado italiano, o jornalista Cristiano Lovatelli.

Como Bacon não tinha o hábito de desenhar, Lavatelli precisou lutar em juizo para comprovar que o seu acervo representava importante parte do espólio deixado pelo mestre do abstracionismo. A causa tramitou de 1996 a 2004, e foi graças ao advogado do jornalista, que ficou com Bacon até sua morte, que estas raríssimas ilustrações chegam até nós.

 

Quem mora em Curitiba atesta  que é uma oportunidade e tanto visitar a exposição “Frida Kahlo — As suas fotografias”, que não irá para outras cidades brasileiras. Está em cartaz no Museu Oscar Niemeyer (MON) o relato documental da vida e da obra da pintura mexicana, composto por 240 fac-símiles.

São fotografias íntimas encontradas na casa da artista, na Cidade do México, onde hoje funciona um museu.

null

Os registros de Frida vão de sua infância à fase adulta, revelando ainda paixões, amizades e conflitos. Em destaque, está a relação da pintora com Diego Rivera e imagens que revelam amores com outros homens e mulheres.

Também são retratados o seu engajamento na luta política de esquerda e a relação dela com o próprio corpo, marcado por um acidente de trans (misto de ônibus e trem). Tais sequelas foram a marca da obra que tornou Frida a artífice das expressões mexicanas. 

E ainda dá tempo de conferir a mostra de Salvador Dalí no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), a mais completa já aberta no Brasil: são 150 obras expostas até 22 de setembro. Mesmo quem só conhece a fase surrealista do artista vai se surpreender, já que a mostra compreende a vasta trajetória do artista catalão que bebeu das fontes do cubismo, do impressionismo e da pintura abstrata.

Pensando no hype dos #selfies que tomaram de assalto as exposições brasileiras, a curadoria da mostra dedicou uma sala inteira no fim da exposição para que o público tire os seus autorretratos. O lugar é inspirador: a sala Mae West é composta por dois quadros com ilustrações de olhos, uma escultura em forma de nariz e o celebrado Sofá Bocca, mobiliário que vem sendo reproduzido pela indústria de decoração desde a criação de Dali, em 1936.