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11/11/2016_09:00

Durante o ano de 2013, meses antes de morrer, o cantor, compositor e ícone dos anos 1970, Lou Reed, esteve nos estúdios Masterdisk, em Manhattan, com os amigos e coprodutores Hal Willner e Rob Santos para trabalhar num projeto que queria fazer havia muito tempo: a remasterização de todo o seu catálogo solo lançado pelas gravadoras RCA e Arista. Ele era um obcecado por áudio e, apesar de estar fisicamente debilitado, ia diariamente ao estúdio. Assim, foi redescobrindo a própria obra.

 “Ele ficava tão alegre ao redescobrir esses discos”, lembra Willner. “Poder estar sentado lá na sala com ele enquanto fazia isso… uau. Sentia-me a pessoa mais sortuda do mundo.” A intenção era relançar esses álbuns, remasterizados, em um box luxuoso contendo 17 discos no terceiro trimestre daquele mesmo ano – só que a saúde de Reed piorou e o projeto foi suspenso.

Após a morte do cantor, os produtores trabalharam junto com sua esposa, Laurie Anderson, para finalizar o livro que acompanha o box. Com isso, o projeto voltou a ser trabalhado. A obra está repleta de lembranças e fotos raras, incluindo uma que mostra Reed sorrindo e liderando um grupo vocal no show de talentos da escola.

O resultado de todo essa pesquisa é o recém-lançado “Lou Reed – The RCA & Arista Collection”. O box traz raridades e gravações descartadas, como o Bootleg Series, de Bob Dylan e parece ser a declaração final sobre o artista. A presença de Lou Reed se  foi mas sua música permanece aqui para o mundo e para as futuras gerações.

19/10/2016_09:00

O cantor e compositor americano Bob Dylan foi anunciado, na última quinta-feira (13), o ganhador do Prêmio Nobel de Literatura 2016. A escolha foi divulgada num evento em Estocolmo, na Suécia. A opção por um músico, e não por um escritor de ofício, soou bastante incomum e causou imensa polêmica sobre os motivos de tal escolha.

Alguns  questionaram se um prêmio de literatura deveria ser dado a um cantor. Outros, indo ainda mais fundo, indagaram se trabalho do cantor se encaixa como literatura.  Mas o fato é que o nome de Dylan já vinha sendo cotado havia bastante tempo. Também poeta, e com diversos livros lançados, o artista é aclamado sobretudo pelo lirismo de suas letras. Desta vez, no entanto, ele não figurava entre os favoritos.

A academia declarou que “Dylan tem o status de um ícone” e que “sua influência na música contemporânea é profunda”. “Ele é provavelmente o maior poeta vivo”, afirmou Per Wastberg, um dos membros da instituição responsável pela premiação.

Tanto na música como na literatura, Bob Dylan foi fortemente influenciado pela geração beatnik (grupo de norte-americanos, principalmente escritores e poetas, que se tornaram conhecidos no final da década de 1950 e no começo da década de 1960) e pelos poetas modernos americanos. Enquanto artista, foi altamente versátil e trabalhou como pintor, ator e autor de roteiros.

O primeiro livro lançado por Dylan, sem ser uma coletânea de suas letras, foi o volume de poesias experimentais “Tarantula”, de 1971. Dois anos depois, era lançado “Writings and drawings”, com textos e desenhos. Ele é autor ainda do best-seller  autobiográfico “Chronicles: Vol. One.”,de 2004. A ideia inicial era de que a autobiografia teria ainda outras duas partes, que não chegaram a ser editadas.

No Brasil, foram traduzidos os seguintes títulos: “Tarântula”, publicado em 1986 pela editora Brasiliense; “Crônicas – Vol.1″, publicado em 2005 pela Planeta; “Forever young”, publicado em 2009 pela Martins Fontes; e “O homem deu nome a todos os bichos”, publicado em 2012 pela Nossa Cultura. Veja abaixo o vídeo de “Like a rolling stone”.

30/09/2016_09:00

Há exatos 35 anos, a icônica banda de rock Rolling Stones lançava o álbum “Tattoo You”. Foi o último da sequência de trabalhos iniciada com “Some Girls”, em 1978, prosseguido com “Emotional Rescue”, de 1980. O disco levou a banda de volta ao hype no mundo da música.

O long-play é basicamente composto por sobras de estúdio, capturados durante a fortuita década de 1970, e contém um dos hits mais conhecidos da banda, “Start Me Up”, que atingiu rapidamente o topo das paradas de sucessos da então renomada Billboard. O disco inteiro provou ser um sucesso, atingindo a marca de mais de quatro milhões de cópias somente nos EUA.

Planejado inicialmente para se chamar somente “Tattoo”, o título acabou sendo modificado, ganhando o “You”, mesmo sem que Jagger soubesse exatamente como. A mudança acabou causando certo mal-estar entre o vocalista e o guitarrista Keith Richards, que suspeitou que o companheiro de banda havia feito a mudança sem consultá-lo.

Chris Kimsey, produtor do álbum, falou em entrevista na época sobre o processo de elaboração do trabalho: “surgiu porque Jagger e Keith estavam passando por um período sem tempo. Havia uma necessidade de ter um álbum, e eu disse a todos que eu poderia fazer um álbum, que eu sabia o material que ainda estava lá.” A aceitação do público em relação ao disco foi instantânea, elevando-o ao top 10 nos EUA e Reino Unido, e as vendas foram sólidas com o LP recebendo disco de platina por quatro vezes.

A crítica também foi bastante positiva, com muitos conceituando o álbum como uma melhoria sobre o antecessor “Emotional Rescue”. Apesar que haver clipes para algumas antigas canções, como “Simpathy For The Devil” e “Respectable”, por exemplo, foi a partir do surgimento da MTV, em 1981, que os vídeos para apresentação das músicas passaram a ser um must have para qualquer composição que pretendese se tornar um hit.

Com isso, vários videoclipes foram produzidos para divulgar o disco e a banda entrou de vez no recém-criado cenário musical televisivo. De lá para cá, muito tempo se passou, mas o frescor e a vitalidade das música dos Stones continuam encantando. Tanto as antigas quanto as novas gerações perceberam que o rock and roll continua vivo e que música de boa qualidade nunca morre.

29/06/2016_09:00

POR GUSTAVO GARCIA

Jack U é o projeto formado pelos americanos Skrillex (Los Angeles, California) e Diplo (Miami, Florida). Os dois já eram figuras carimbadas do universo da música eletrônica quando resolveram se juntar para criar o duo em segredo, só vindo à tona a identidade da dupla, após grande especulação do público sobre o assunto.

Tudo começou no dia 30 de março de 2014, quando o Jack Ü fez uma participação de
uma hora no Ultra Music Festival, em Miami. O set misturou diversos gêneros, desde
músicas do então recém lançado álbum do Skrillex, Recess, até hip hop. Após o grande
sucesso da apresentação, a dupla lançou seu primeiro single, ainda no mesmo ano, que
contou com a participação da cantora canadense Kieza (pronuncia-se “cáiza”).

Uma vez questionados sobre como os dois resolveram formar o Jack Ü, Diplo disse que
Skrillex “foi um dos primeiros produtores que eu conheci quando me mudei para Los
Angeles… nós dois simplesmente tínhamos ideias muito parecidas em relação à
música”. Os dois costumavam se reunir em Los Angeles ou nos hotéis durante as turnês
para produzirem suas músicas.

Enfim, o aguardado álbum, intitulado “Skrillex e Diplo Presente Jack Ü”, foi lançado em
2015 foi um enorme sucesso, elevando-os de vez ao mesmo patamar dos popstars.
Depois disso eles se apresentaram em diversos festivais, inclusive no Brasil, no
Loolapalloza desse ano, sempre com a mesma boa aceitação por parte do público.

Esse sucesso levou-os a vitória de dois Grammys em duas categorias, um na categoria
de “Melhor Álbum de Música Eletrônica”, e outro na categoria de “Melhor Gravação de
Dance Music”, com a faixa “Where Are U Now”, com Justin Bieber. Na mesma categoria
estavam grandes nomes do cenario da musica eletrônica mundial, como Above &
Beyond, The Chemical Brother, Disclosure, só para citar alguns.

Esse é o resultado, quando dois jovens talentosos e inquietos se unem para criar algo
único e sem precedentes. Fica claro que a mistura de gêneros musicais é uma tendência
frutífera e que ainda virão muitos hits da cabeça criativa desses dois. Fica atento à esse
nome que ainda vem muita coisa boa por aí.

30/05/2016_09:00

por GUSTAVO GARCIA

O duo Chairlift, formado originalmente por Caroline Polachek e Aaron Pfenning, então amigos de universidade, em 2005, começou sua carreira com a proposta de fazer um som que servisse de trilha ambiental para casas mal-assombradas. Após a breve fase sombria, a dupla se mudou para Williamsburg, no Brooklyn, NY, mudou a formação original — incorporando o músico Patrick Wimberly — e assinou contrato com sua primeira gravadora, a Kanine Records, responsável por lançar seu primeiro álbum, intitulado “Does You Inspire You”, no ano de 2008.

O álbum de estreia foi muito bem-recebido pelo público e pela crítica, e o clipe do single “Evident Utensil” foi indicado em uma das premiações mais concorridas e respeitadas no mundo pop, o MTV Video Music Awards. Depois desse reconhecimento, a dupla assinou contrato com uma grande gravadora, a Columbia, que relançou o disco, incluindo faixas inéditas e, em seguida, partiu para sua primeira turnê internacional, abrindo shows de bandas de primeira linha como o Phoenix.

Cinco anos após o primeiro lançamento, a dupla dedicou-se a uma profunda imersão no universo pop dos anos 1980, unindo influências góticas e baladas sinistras (lembram que tudo começou com trilha de casas mal-assombradas?), da qual nasceu seu segundo disco, intitulado simplesmente “LP” (sigla para “long-play”, nome dado ao disco de vinil de carreira, com cerca de 10 músicas). Nessa mesma época, surgiu um convite para uma parceria insólita com nada menos que a super-übber-r&b-popstar Beyoncé.

Em seu terceiro álbum, “Moth”, lançado este ano, fica latente a evolução da banda para um som mais maduro e menos inofensivo, diferente do de seu disco de estreia. As faixas parecem brotar de um ambiente criativo, passeando por diversos campos da música pop, ampliando o terreno explorado pela dupla anteriormente.

As diversas referências presentes neste disco incorporam a black music de diferentes épocas, com passagem pelo R&B, pelo hip hop dos anos 1980, pela disco, e até por uma visita à obra de Michael Jackson, com manipulações vocais e batidas que os distanciam do synthpop obscuro dos álbuns anteriores.

Chairlift é uma das bandas mais promissoras do atual cenário musical mundial e suas músicas encantam todos por onde passam, conquistando novos fãs e consolidando uma carreira em ascensão. Eles são modernos e combinam bem com este mundo em que vivemos, multicultural e cheio de referências. Você pode conferir a playlist que preparamos com algumas canções da banda. Aperte o play e embarque nesta viagem.