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07/09/2015_10:00

por RAISA CARLOS DE ANDRADE

Se existe um ponto no qual o País alcançou sua independência e permanece com devoção, este é a cultura. Celebramos a nossa liberdade com quem não deixa de alavancar o Brasil e faz ver que, em tempos atuais, podemos tentar ignorar assuntos pesados relacionados à crise quando nos debruçamos nos nossos valores artísticos.

A seguir, sete nomes para afastar qualquer saudosismo. Em comum, o talento e aquela estranha mania de ter fé na vida para entender o momento exato de apostar. Diante do clamor pelo “Independência ou Morte” declarado há exatos 193 anos, seguimos brasileiramente firmes quando se trata de mentes culturais que criam.

MÚSICA: Alice Caymmi

O sobrenome imponente não é nenhuma novidade. Neta de Dorival, sobrinha de Nana e Dori e filha de Danilo, Alice herdou a potência vocal da família e, em “Rainha dos Raios”, seu segundo e iconoclasta álbum, consegue aferir sobre arte, politeísmo e amor com a sua música e a sua imagem.

Nada a comprime: possui opiniões fortes até mesmo em entrevistas, maquiagem marcada e corpo que quebra regras em meio a uma ditadura de beleza sem fim. A verdade é que Alice deixa os limites distantes do que foi prescrito e essa mistura, que foge da delicadeza, é a principal razão pela qual Paulo Borges tenha se encantado a ponto de ser o diretor artístico desta turnê.

PRESTE ATENÇÃO: Nas releituras em samba-canção e bolero eletrônico que ela faz de “Princesa”, hit funk noventista de MC Marcinho, e “Meu mundo caiu”, hino da fossa imortalizado por Maysa, respectivamente (clique nos nomes das músicas para ouvi-las no Spotify). 

CINEMA: Karim Aïnouz

O cineasta de origem argelina é o nome por trás de “Madame Satã” (2002), “O céu de Suely” (2002) e, o mais recente deles, “Praia do Futuro”. O filme de 2014 se tornou assunto ao colocar Wagner Moura vivenciando um romance com o ator alemão Clements Schick e, no lançamento, Aïnouz sabia o quanto este debate seria pertinente. Pois afinal, vivemos um tempo em que a morte de um homossexual a cada 28 horas ainda é uma realidade no Brasil.

Nascido em Fortaleza, o diretor e roteirista hoje se divide entre suas origens, São Paulo e Berlim e, talvez por isso, “Praia do Futuro” (cuja resenha completa no jornal online The New Frame Post merece ser lida) vale também pela impecável direção de arte oitentista e por “Helden”, versão em alemão de “Heroes”, de David Bowie, ser a música-tema.

PRESTE ATENÇÃO: Em “Viajo porque preciso, volto porque te amo”, filme de 2009 alavancado pelo clima contemplativo que por, muito tempo, esteve presente em tudo que o diretor fez. E fique ligado também no seu projeto mais recente, estartado em março desse ano, “Velázquez ou o realismo selvagem”.

ARTE: Mauricio Ianes

O artista plástico santista é formado pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e sempre se interessou por diversos campos na cultura. Na moda, foi diretor criativo da extinta Zapping, consultor de estilo de Walter Rodrigues e, desde o icônico desfile de formação de Alexandre Herchcovitch na Faculdade Santa Marcelina em 1993, colabora em styling e branding nos desfiles e campanhas do estilista paulistano.

Nas artes, Ianes já participou de dez exposições, entre mostras individuais e coletivas. Após residências artísticas na Cité Internacionale des Arts, em Paris e no Quartier 21, em Viena, levou dois de seus projetos à Bienal de Arte de SP, sendo uma instalação, questionando o papel do público na comunicação da arte, e uma performance, na qual caminhou nu por duas semanas em um andar vazio do prédio.

PRESTE ATENÇÃO: Agenciado pela Galeria Vermelho, de São Paulo, Ianes integra anualmente a programação do Verbo, festival internacional de performance, e foi um dos artistas brasileiros inseridos na residência de Marina Abramović no Sesc Pompéia (veja vídeo de uma de seus apresentações aqui).

MODA: Helô Rocha

Após anos à frente da Têca, a estilista Helô Rocha declarou morte da sua marca original para, em seguida, dar luz a duas grifes batizadas com seu nome e sobrenome. Dividida entre as linhas Helô Rocha Black, especializada em moda couture, e Helô Rocha White, para looks casuais, Helô continua investindo na estamparia como o seu ponto de convergência.

Ela está no time dos estilistas ao que o Brasil está atento e sua primeira campanha na nova marca (com styling de Daniel Ueda) deixou isso bem claro. Aberta ao que acontece no mundo, extrai a essência do que é moda e aplica de um jeito funcional para quem entende o quanto é bom ser daqui.

PRESTE ATENÇÃO: Neste novo momento de carreira, Helo Rocha, que já é membro afetivo da família ELLUS há algum tempo, participará de uma ação especial que montaremos em algumas semanas. Aguardem ;-)

TELEVISÃO: Cauã Reymond

Há quem se esqueça que Cauã Reymond surgiu na TV em “Malhação”. Em 12 anos de carreira, foram mais de 20 personagens, sendo dez deles em longa-metragens, ganhando confiança de diretores para projetos mais densos e maduros. O primeiro contato com a atuação surgiu no final dos anos 1990, quando fez seu primeiro curso de atuação enquanto trabalhava como modelo em Nova York.

Bem antes de se tornar um dos rostos mais fortes do Brasil, já posava para lentes de fotógrafos como Bruce Weber, Mario Testino, Terry Richardson e Karl Lagerfeld. Sem abandonar de vez a moda, que vez ou outra surge (como você sabe, ele é o rosto da ELLUS há três estações), Cauã agora se prepara para o mais maduro de seus projetos: sua estreia como diretor no longa “Azuis”, em parceria com Mario Canivello.

PRESTE ATENÇÃO: No primeiro protagonista de Cauã em uma novela das 21h da TV Globo. Ele estreou como Juliano há uma semana em “Regra do jogo” e será o vingador da nova trama do diretor João Emmanuel Carneiro (do marco “Avenida Brasil”, de 2012).

LITERATURA: Clara Averbuck

A escritora está entre os nomes que desmistificam o feminismo no Brasil. É um dos baluartes da geração 2.0 da internet, com um blog que mudou a forma que as mulheres eram percebidas no cyberespaço. Autodidata, sempre odiou a escola e não durou um semestre nas faculdades de Jornalismo e Letras.

Entretanto, teve foco para publicar cinco livros, ser colunista e movimentar a internet falando de uma forma clara sobre o quanto opiniões machistas precisam ser desconsideradas com urgência. Seus escritos são considerados literatura de consumo, com influências da subcultura pop. E se, para muitos, a ideia do pop é um fator de descredibilidade, a obra de Clara vem despertando cada vez mais interesse de diretores de teatro e cinema.

PRESTE ATENÇÃO: Assista “Nome próprio”, longa de Murilo Salles de 2007 que usou como referência três livros de Clara (que acabou sendo escalada para a produção). Protagonizado por Leandro Leal, o filme tem trailer disponível no YouTube.

NOITE: Facundo Guerra

Com personalidade low profile graças a timidez desmedida, Facundo Guerra se tornou o principal agitador cultural da noite paulistana. Proprietário do Grupo Vegas, o empresário hoje emprega 300 funcionários nos bares Z Carniceria, Volt e Riviera, e nos clubes Lions, Yatch e Cine Joia.

Sem ter tempo de aproveitar nem mesmo o mais novo dos seus espaços, Facundo ignora riscos e investe o lucro em um próximo. Seu plano é aumentar a lista com quase dez novos empreendimentos em dois anos. Dois deles já estão em obras: uma casa de shows onde ficava o Aeroanta, no Largo do Batata, e o Museu do Agora, espaço de cultura nas proximidades da Avenida Paulista. A ideia de Facundo é continuar, o que faz com que muita gente não pare. Ainda bem.

PRESTE ATENÇÃO: Ele inaugurou em 17 de agosto o espaço multidisciplinar Mirante de 9 de Julho, que ficou 78 anos sem uso. O lugar reúne galeria, música, cinema e gastronomia, tudo ao ar livre.

26/03/2013_15:34

O projeto MOVE! veio do Museu de Arte Moderna de Nova York (Moma) e trouxe para o Brasil artistas e estilistas que agitaram o mundo da moda e da arte dentro e fora do Sesc Belenzinho, em São Paulo.  A Ellus esteve lá com a instalação Pé de Jeans, onde árvores gigantes espalhadas pela cidade foram literalmente vestidas com calças jeans Ellus pelo artista americano Peter Coffin. Enquanto isso, performances aconteciam dentro do Sesc, com participação do público, estilistas e artistas. Democraticamente chic, assim foi a exposição.

Foi uma honra participar do MOVE! e aqui o nosso registro da mostra.

Aperte o play e inspire-se!