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01/12/2014_23:55

por IGOR FIDALGO

Não pode ser coincidência. No ano em que “Dark side of the moon”, álbum do Pink Floyd que vendeu 50 milhões de cópias (atrás somente de “Thriller”, de Michael Jackson), completa quatro décadas, Facundo Guerra anuncia que o icônico disco será reproduzido no último Cinesthesia de 2014. O projeto, que pretende restaurar a aura da era de ouro das salas de cinema com a exibição estendida de filmes históricos no Cine Jóia, estreou em 9 de novembro. No début, uma noite arrepiante: as versões originais de “O massacre da serra elétrica” (1973) e “O exorcista” (1973) foram exibidas na casa de shows, com show da banda Zumbis do Espaço entre um filme e outro, e projeções 3D de videmapping. 

Para a sessão que acontece no próximo dia 14, Facundo preparou um encerramento de classe: “O mágico de Oz” (1939) será sincronizado com as músicas do lendário álbum da banda de rock progressivo, lançado em 1974. Para deixar a experiência ainda mais viva, as canções serão tocadas ao vivo, pela banda Pink Floyd Cover SP.

Nas redes sociais, muito tem sido comentado sobre a sessão “The Moon of Oz”, que começa às 19h e o ingresso de R$ 30 (já esgotado) ainda dá direito a uma cerveja. Facundo Guerra cogita montar uma sessão de matinê para os filhos dos fanáticos pelo filme e pelo disco: “Ninguém entende mais de lisergia e psicodelia do que as crianças. Estou errado?”, perguntou o empresário, dia desses, no seu Facebook.

Pesquisando sobre a misteriosa coincidência que une as duas obras, encontrei um texto do colunista Ricardo Setti no site da revista Veja. Ele aponta as melhores passagens da espetacular sincronia entre “O mágico de Oz” e “Dark side of the moon”. Abaixo, a lista montada pelo jornalista.

04’23”: Queda de Dorothy no chiqueiro coincide com o tenso começo de “On the Run”.

08’14”: O barato da sonhadora Dorothy, que canta “Over the rainbow”, é cortado com os despertadores de “Time” e a chegada da “bruxa” no Kansas.

16’06”: O auge da jam session vocal “The great gig in the sky” embala o início do furacão.

19’44”: O filme fica colorido exatamente no começo de “Money”. Haja ironia!

37’22”: O Espantalho doidão dança ao som de “Brain damage” (“o lunático está no gramado”, diz a letra, sendo que também pode significar “o lunático está chapado”).

No vídeo acima, você pode sentir um pouco do que vai rolar no Cinesthesia. Embora “Dark side of the moon” tenha 42 minutos e 30 segundos, e “O mágico de Oz” dure 1 hora e 41 minutos, o estudioso da mística que publicou esta versão acredita que a sincronia entre música e filme continua se o álbum for tocado em loop.

Embora o Pink Floyd não confirme a teoria, há quem diga que Nick Mason, David Gilmour, Roger Waters e Rick Wright compuseram o disco com uma milimétrica obediência às cenas da produção hollywoodiana de Victor Flemming.

E você: acha que isso tudo é coincidência?

17/04/2012_11:29

O dono do novo point badalado da cidade, o Club Yacht, também é sócio do Club Lions, do Vegas, do Z Carniceria e do Volt. Ah, ele também é dono no Cine Joia! Ele não para, já foi chamado pela revista Veja São Paulo (onde foi capa), como o “novo midas da boemia e novo reizinho da noite”, mas cedeu um pouquinho do seu tempo pra Sala Ellus e respondeu algumas perguntas inéditas sobre show, festas, discos e músicas.

1. Qual foi o melhor show ou um dos melhores shows do Cine Joia até agora? 

John Zorn, sem sombra de dúvidas. Pelo artista que é e pela tensão pré-show. Zorn entrou para a passagem de som xingando todos os orixás por conta do palco. Queria porque queria fazer o show no nível da platéia, com todos sentados. Tínhamos acabado de fazer nossa reforma acústica e não sabíamos se o resultado estaria satisfatório para um músico da estatura do Zorn. Todos os audiófilos mais punhetas da cidade estariam lá. Ou seja, uma pressão dos infernos, por conta do público e da atração. O resultado? Um dos melhores shows que já vi na vida e um artista que voltou pra 3 bis, quando normalmente ele não volta sequer pra um. Quase usei fralda geriátrica antes do artista subir ao palco, mas no final das contas deu tudo certo. Foi, por falta de melhor adjetivo, épico.

2. Qual a melhor festa da sua vida? 

Foram muitas, na verdade, no Vegas principalmente. Mas a que mais me marcou foi a festa pós show do funeral do LCD Soundsystem, depois do show que eles fizeram no Madison, no Chelsea Hotel. Eu me recordo de poucas coisas da festa, porque se lavava o chão com champagne (eu não bebo, mas fiz uma concessão nesse dia). O que sei é que desligaram o soundsystem às 5:00, mas às sete da manhã ainda tinha gente cantando dentro do lugar. O dia seguinte pra mim não existiu. Foi o funeral mais bonito em que já fui.

3. O que você está ouvindo agora? 

Eu sempre volto ao Charles Mingus quando não sei o que ouvir ou não estou com saco pra pesquisar. Meu porto seguro. Mas ultimamente tenho ouvido uma coletânea montada por um fã do Cramps chamado “Lux and Ivy”. São dez cds com músicas que influenciaram a banda. Eles não contavam nunca com uma banda de abertura e deixavam fitas com músicas que os influenciaram ou os inspiraram pra tocar antes e depois de seus shows. Tem muita coisa boa, de hillbilly a sons de bichos, de gospel a gritos.

4. Qual o primeiro disco que você comprou? 

For Those About to Rock We Salute You”, AC/DC. O segundo foi “creatures of the night”, do Kiss, um clássico entre os pré-adolescentes da década de 1980.

5. Qual o show desejo que nunca vai poder acontecer no Cine Joia?

Além do óbvio LCD Soundystem, Leonard Cohen. Não que esteja morto – pelo contrário – mas aos 78 anos suspeito que ele não saia muito mais de casa. Ou, se o fizer, seria por milhões. Nunca acontecerá.

Show do Thurston Moore, do Sonic Youth, no Cine Joia e seu espetáculo de luzes na semana passada.