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15/03/2016_11:00

O movimento vanguardista holandês De Stijl, originado em 1917, adotou uma estética abstrata e centrada em elementos visuais básicos, como formas geométricas e cores primárias. A qualidade reduzida da arte De Stjil, uma crítica aos excessos decorativos do movimento Art Deco, foi invisionada pelos seus criadores como uma linguagem visual universal, apropriada para os tempos modernos.

Liderado pelo pintor Piet Mondrian, os artistas De Stijl promoveram suas ideias inovadoras através de uma revista com o mesmo nome do movimento, direcionando sua atenção não apenas às artes plásticas, como pintura e escultura, mas também a todas as outras formas de arte, incluindo design industrial, tipografia e até literatura e música. A influência do De Stijl teve mais força no âmbito da arquitetura entre os anos 1920 e 1930.

No dia 25 de janeiro, o CCBB-SP inaugurou a exposição “Mondrian e o movimento de Stijl”que ficará até o dia 4 de abril, a fim de celebrar o marco destes artistas na sociedade. O panorama apresenta cerca de 60 obras de um número de artistas do movimento da vanguarda — Theo van Doesburg, Gerrit Rietveld, Bart van der Leck, Jacobus Oud, Georges Vantongerloo, Ilya Bolotowsky, entre outros —, das quais 30 são de Mondrian, o ícone da exibição. Pesquisando sobre o artista, descobrimos 5 curiosidades que vão te deixar mais do que entusiasmado para ver a mostra.

1. ESPIRITUALIDADE DA ARTE

Enquanto escritor teórico, Mondrian acreditava que a arte refletia a espiritualidade da natureza. Ele simplificava as suas pinturas nos elementos mais básicos para revelar a essência da energia mística no equilíbrio das forças que governam a natureza e o universo.

2. FORÇAS COMPLEMENTARES

Mondrian distilava suas representações do mundo em elementos verticais e horizontais básicos, que simbolizavam duas forças essenciais e opostas: o positivo e o negativo, o dinâmico e o estático, o masculino e o feminino, o yin e o yang.

3. QUEBRA DE PADRÕES

A visão singular de Mondrian pode ser notada na progressão metódica das suas obras, que vão de representação tradicional à abstração completa. Suas pinturas foram se desenvolvendo de forma lógica e transmitem claramente a influência de diversas formas de arte moderna, como iluminismo, impressionismo e principalmente cubismo.

4. INTELECTUALIZAÇÃO DA ESTÉTICA

Mondrian defendia a abstração pura e uma paleta limitada com intenção de expressar um ideal utópico de harmonia universal em todas as formas de arte. Ao usar formas e cores básicas, o pintor acreditava que a sua visão de arte moderna transcenderia divisões culturais e tornaria-se uma nova linguagem comum baseada em cores primárias puras, nivelamento das formas e tensão dinâmica nas telas.

5. REGISTRO DE UMA ERA

O livro de Mondrian sobre neo-plasticismo, “Neoplasticismo na pintura e arquitetura”, se tornou um dos documentos-chave da arte abstrata. Na tese, ele detalha sua visão de expressão artística, onde “plástico” se refere simplesmente à ação de formas e cores na superfície da tela, como um novo método para representar a realidade moderna.

25/12/2015_10:00

por ANDRÉ PERZ

O Natal está aí e nós sabemos que às vezes é difícil entrar no clima. Mas, como Sala ELLUS está aqui para te ajudar, nós trazemos a boa bula: que tal uma supermaratona de filmes com filmes aninhados com a data?

A seguir, cinco opções nada óbvias (algumas delas, nem nós lembrávamos que eram ambientadas no Natal) de longa-metragens que coadunam roteiro, direção e bonecos de neve. Anote nossas dicas, coloque a pipoca no microondas e aproveite!

“O NATAL DE CHARLIE BROWN” (1965)

O nosso amado Minduim e o seu cachorro Snoopy são estrelas de dezenas de filme natalinos mas o mais icônico de todos é, sem duvida, o primeiro. Na animação, Charlie Brown tenta entender a fonte de sua tristeza, que contrasta enormemente com a alegria natalina demonstrada por todos os seus amigos.

POR QUE VOCÊ DEVE ASSISTIR? Porque apesar de ter sido lançado há 50 anos, a animação contem mensagens superatuais e, nos Estados Unidos, é considerado o maior clássico das festas de fim de ano. Apesar de ser em tese um filme infantil, aborda questões de maneira madura e tocante.

“GREMLINS” (1984)

O filme de humor negro narra a história de um jovem que recebe um Mogwai, uma estranha criatura peluda, como presente de Natal. Quando o bicho, que não pode ficar molhado, é encharcado por um copo d’água, começa a se reproduzir em nível assustador e milhares de gremlins começam a aterrorizar Nova York.

POR QUE VOCÊ DEVE ASSISTIR? Porque é trashy, divertido e assustador na medida e porque nós amamos tudo que vem dos anos 1980. Em termos técnicos, mire na equipe poderosa que aparece nos créditos da fita: Steven Spielberg é o produto executivo e Chris Columbus, diretor de “Esqueçeram de mim” e “Uma babá quase perfeita“, assina o roteiro.

“BATMAN: O RETORNO” (1992)

No segundo filme do Batman dirigido por Tim Burton, o herói interpretador por Michael Keaton tem que lidar com o vilão Pinguim (na célebre atuação de Danny Devito). O gangster que foi criado no subsolo de Gotham City está colocando em perigo todo o fornecimento de energia da cidade. Mas é claro que o filme não estaria nesta lista se não fosse pela icônica Mulher Gato de Michelle Pfeiffer.

POR QUE VOCÊ DEVE ASSISTIR? Porque é uma experiência estética que você precisa ter. Preste atenção nos figurinos, nos cenários e em toda a produção de arte. Além disso, é a melhor Mulher Gato que já ganhou vida nos cinemas, deixando Halle Berry e Anne Hathaway no chinelo.

“O ESTRANHO MUNDO DE JACK” (1993)

Neste clássico de stop motion, cada data comemorativa tem seu próprio universo isolado. O longa, também dirigido por Tim Burton, já era conhecido por “Nightmare before christmas” (“O pesadelo antes do Natal”), onde fomos apresentados a Jack quando ele tenta introduzir o conceito de Natal no universo do Halloween.

POR QUE  VOCÊ DEVE ASSISTIR? Porque, novamente, a estética natalina de Tim Burton é fantástica, mesclando o sombrio com o lúdico. Além disso, o filme é um fenômeno de crítica, com 94% de aprovação no site Rotten Tomatoes.

“200 CIGARROS” (1999)

Sem protagonistas, o filme retrata as aventuras e as desventuras dos personagens vividos por Paul Rudd, Ben Affleck, Kate Hudson, Chritina Ricci e Janneane Garofolo a caminho de uma festa de arromba que vai se passar na virada de 1981 para 1982. 

POR QUE VOCÊ DEVE ASSISTIR? Porque tem Courtney Love no elenco! E a retratação das inseguranças e das neuroses familiares de quem está na casa dos 20 é inerente à passagem das décadas. E sim, claro: é verdade que esse filme não se passa no Natal mas, o Réveillon está quase aí. 

14/10/2015_12:00
Uma das melhores coisas de se viver em Paris é ter em mãos a programação cultural e artística da cidade, sempre com ótimas exposições em museus e galerias. Vejo esse tipo de ambiente como uma verdadeira ferramenta de pesquisa para meu trabalho. Entre as galerias, minhas favoritas ficam no Marais, onde sempre faço um tour, compro livros e consigo visitar todas de uma só vez!
NA RUE DE TURENNE: Duas delas ficam na rue de Turenne: a galerie Perrotin (acima), atualmente uma das mais importantes de Paris, conta com exposições e eventos imperdíveis. Foi lá que pude ver, há pouco tempo, o lançamento do novo livro do Terry Richardson. Entre os artistas representados, destaco Tatiana Trouvé, Maurizio Catellan e Xavier Velhan. Já a Almine Rech é um galeria belga com um ótima seleção de livros dos seus artistas. Um lugar memorável em que pude ver a exposição do Hedi Slimane em 2011. No acervo, é possível ver trabalhos de artistas como Anselm Reyle e Ugo Rondinone.
GALERIE THADDEUS ROPPAC: Seguindo o percurso está a galerie Thaddaeus Roppac, localizada nas proximidades da rue Debelleyme. Sem dúvidas, uma outra opção com uma excelente seleção de artistas contemporâneos. Além das duas salas de exposição, a Thaddaeus Roppac possui um novo galpão, inaugurado cerca de dois anos atrás em Pantin, nos arredores de Paris. Um lugar altamente recomendado, embora exija uma mini fuga da cidade. Por lá, são organizadas performances, shows e exposições num espaço amplo, com 2500 metros quadrados.
OFR. LIBRAIRIE, GALERIE: E, para fechar o roteiro, a OFR. O espaço não ostenta o título de galeria porque é, na verdade, uma livraria com pequenas exposições frequentes que disponibiliza o que há de mais novo entre publicações e livros de artistas. Fica na rue Dupetit-Thouars, próxima ao Carreau du Temple. Tem que ir!
30/05/2015_10:00

por RAISA CARLOS DE ANDRADE

Quando se pensa em viver de economia criativa, cidades como Nova York e Londres se tornam escolhas arriscadas. A mudança requer cuidado e, para viver de arte, melhor partirmos do custo de vida. Berlim, a mais comentada das cidades, está a beira da saturação.

Pensamos um pouco além e listamos novos cantos do mundo em ascensão, nos quais é possível ter acesso, ampliar o processo criativo e ser, de fato, um cidadão do mundo em paz.

LEIPZIG, na Alemanha

Para muitos, Leipzig é a nova Berlim. Com aluguéis baratos em casas pré-fabricadas, apartamentos e fábricas que podem ser reaproveitadas, a cidade é a segunda mais populosa da Alemanha.

Lá, a Leipzig Academia de Artes Visuais está repleta de novos pintores e, como a Alemanha valoriza a arte contemporânea, mesmo alunos internacionais podem estudar. E o melhor: sem pagar por isso.

ATENAS, Grécia

Com mais de 50 coletivos de arte, espalhados em lojas vazias, a capital grega está recebendo cada vez mais artistas internacionais. A crise política vivida pela Grécia serviu para dar força à arte.

Especula-se que os olhos do mundo se voltarão à Atenas em 2017, quando a cidade receberá o Documenta, evento alemão que ocupará espaços públicos com arte. Programe-se.

BOGOTÁ, Colômbia

Com preços bem mais acessíveis que os praticados no Brasil, a Colômbia já é lar para artistas há tempos. Agora, Bogotá recebe uma nova geração, cada vez menos impulsionada por dinheiro ou galerias de arte. Enquanto a street art fervilha, Bogotá emana imagens e tinta fresca esquinas.

VARSÓVIA, Polônia

Varsóvia vive o que aconteceu há cerca de dez anos em Berlim. A cena artística está escondidinha em lugares lúdicos, como castelos com energias hypadíssimas. Em setembro, a quinta edição do Warsaw Gallery Weekend lotará a cidade com uma extensa programação de eventos.

Vale ficar atento a Cracóvia, Lodz e Gdańsk que também refletem o quanto a Polônia vem se tornando um lugar delícia para se viver.

LIMA, Peru

O novo destino artístico da America Latina está no Peru. A cada ano, Lima vem atrai mais visitantes para eventos como ArtLima e Parc. Na capital peruana, a cena está dividida entre Miraflores e Barranco, bairros bem cuidados e boêmios, lotados de artistas plásticos, colecionadores e curadores.

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11/05/2015_10:00

por MILENA COPPI

Mais uma vez o Centro Cultural Banco do Brasil trás para o País a exposição de um pintor modernista espanhol. A primeira, sobre o surrealista Salvador Dalí, levou 978 mil pessoas à unidade do Rio, entre maio e setembro. Agora, é a vez do cubista Pablo Picasso invadir as galerias do CCBB-SP e Rio.

Intitulada “Picasso e a modernidade espanhola”, a exposição trás cerca de 90 obras antes só vistas no Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofía, em Madri. É uma boa oportunidade para os brasileiros, que são fãs do pintor, mergulharem no universo do espanhol que dedicou sua carreira a retratar mulheres — na maioria das vezes, suas esposas e amantes (e, coincidentemente, todas francesas!).

Quadros icônicos como “Cabeça de mulher” (1910) e “Retrato de Dora Maar” (1939) são algumas das obras que representam a fixação do pintor pelo universo feminino. Esse aspecto, aliás, levou diversos críticos a dividirem sua carreira em fases com os nomes de suas mulheres – “era Fernande”, “fase Marie-Thérèse”, “período Dora Maar”, entre outras. “O Pintor e a Modelo” (1963), também exposta durante a mostra, é outra obra em que o pintor explora sua visão particular, e muito original, de representar o corpo feminino.

Picasso, no entanto, não era um pintor de uma obra só. Dono de um talento nato para as artes — que sem dúvida herdara do pai, o também artista José Ruiz Blasco —, o pintor mudou seu estilo de pintura diversas vezes na vida. Em suas obras é possível perceber a transição: de sua fase azul, conhecida por pinturas com personagens tristes, usando apenas tons de azul, à fase rosa, quando conheceu sua mulher Fernande Olivier e passou a retratar temas alegres.

Esta fase, no entanto, não durou muito tempo. Logo, Picasso retornaria a tons mais sombrios, buscando influências em esculturas africanas que serviram de estímulo para buscar novas formas de mostrar e interpretar a realidade.

Este foi o pontapé para que, juntamente com o pintor francês Georges Braque, criasse o cubismo, considerado um dos movimentos mais importantes da história da arte moderna. Estudos e esboços de “Guernica”, uma das obras mais importantes dessa fase, estarão em cartaz na exposição que trás também criações de 35 outros artistas espanhóis. Entre eles, Salvador Dalí, seu ex mestre, e seu amigo Joan Miró.

“Picasso e a modernidade espanhola”, fica em cartaz até 8 de junho no CCBB-SP, quando desembarca na sede do Rio, e permanece de 24 de junho a 7 de setembro.