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25/12/2015_10:00

por ANDRÉ PERZ

O Natal está aí e nós sabemos que às vezes é difícil entrar no clima. Mas, como Sala ELLUS está aqui para te ajudar, nós trazemos a boa bula: que tal uma supermaratona de filmes com filmes aninhados com a data?

A seguir, cinco opções nada óbvias (algumas delas, nem nós lembrávamos que eram ambientadas no Natal) de longa-metragens que coadunam roteiro, direção e bonecos de neve. Anote nossas dicas, coloque a pipoca no microondas e aproveite!

“O NATAL DE CHARLIE BROWN” (1965)

O nosso amado Minduim e o seu cachorro Snoopy são estrelas de dezenas de filme natalinos mas o mais icônico de todos é, sem duvida, o primeiro. Na animação, Charlie Brown tenta entender a fonte de sua tristeza, que contrasta enormemente com a alegria natalina demonstrada por todos os seus amigos.

POR QUE VOCÊ DEVE ASSISTIR? Porque apesar de ter sido lançado há 50 anos, a animação contem mensagens superatuais e, nos Estados Unidos, é considerado o maior clássico das festas de fim de ano. Apesar de ser em tese um filme infantil, aborda questões de maneira madura e tocante.

“GREMLINS” (1984)

O filme de humor negro narra a história de um jovem que recebe um Mogwai, uma estranha criatura peluda, como presente de Natal. Quando o bicho, que não pode ficar molhado, é encharcado por um copo d’água, começa a se reproduzir em nível assustador e milhares de gremlins começam a aterrorizar Nova York.

POR QUE VOCÊ DEVE ASSISTIR? Porque é trashy, divertido e assustador na medida e porque nós amamos tudo que vem dos anos 1980. Em termos técnicos, mire na equipe poderosa que aparece nos créditos da fita: Steven Spielberg é o produto executivo e Chris Columbus, diretor de “Esqueçeram de mim” e “Uma babá quase perfeita“, assina o roteiro.

“BATMAN: O RETORNO” (1992)

No segundo filme do Batman dirigido por Tim Burton, o herói interpretador por Michael Keaton tem que lidar com o vilão Pinguim (na célebre atuação de Danny Devito). O gangster que foi criado no subsolo de Gotham City está colocando em perigo todo o fornecimento de energia da cidade. Mas é claro que o filme não estaria nesta lista se não fosse pela icônica Mulher Gato de Michelle Pfeiffer.

POR QUE VOCÊ DEVE ASSISTIR? Porque é uma experiência estética que você precisa ter. Preste atenção nos figurinos, nos cenários e em toda a produção de arte. Além disso, é a melhor Mulher Gato que já ganhou vida nos cinemas, deixando Halle Berry e Anne Hathaway no chinelo.

“O ESTRANHO MUNDO DE JACK” (1993)

Neste clássico de stop motion, cada data comemorativa tem seu próprio universo isolado. O longa, também dirigido por Tim Burton, já era conhecido por “Nightmare before christmas” (“O pesadelo antes do Natal”), onde fomos apresentados a Jack quando ele tenta introduzir o conceito de Natal no universo do Halloween.

POR QUE  VOCÊ DEVE ASSISTIR? Porque, novamente, a estética natalina de Tim Burton é fantástica, mesclando o sombrio com o lúdico. Além disso, o filme é um fenômeno de crítica, com 94% de aprovação no site Rotten Tomatoes.

“200 CIGARROS” (1999)

Sem protagonistas, o filme retrata as aventuras e as desventuras dos personagens vividos por Paul Rudd, Ben Affleck, Kate Hudson, Chritina Ricci e Janneane Garofolo a caminho de uma festa de arromba que vai se passar na virada de 1981 para 1982. 

POR QUE VOCÊ DEVE ASSISTIR? Porque tem Courtney Love no elenco! E a retratação das inseguranças e das neuroses familiares de quem está na casa dos 20 é inerente à passagem das décadas. E sim, claro: é verdade que esse filme não se passa no Natal mas, o Réveillon está quase aí. 

14/10/2015_12:00
Uma das melhores coisas de se viver em Paris é ter em mãos a programação cultural e artística da cidade, sempre com ótimas exposições em museus e galerias. Vejo esse tipo de ambiente como uma verdadeira ferramenta de pesquisa para meu trabalho. Entre as galerias, minhas favoritas ficam no Marais, onde sempre faço um tour, compro livros e consigo visitar todas de uma só vez!
NA RUE DE TURENNE: Duas delas ficam na rue de Turenne: a galerie Perrotin (acima), atualmente uma das mais importantes de Paris, conta com exposições e eventos imperdíveis. Foi lá que pude ver, há pouco tempo, o lançamento do novo livro do Terry Richardson. Entre os artistas representados, destaco Tatiana Trouvé, Maurizio Catellan e Xavier Velhan. Já a Almine Rech é um galeria belga com um ótima seleção de livros dos seus artistas. Um lugar memorável em que pude ver a exposição do Hedi Slimane em 2011. No acervo, é possível ver trabalhos de artistas como Anselm Reyle e Ugo Rondinone.
GALERIE THADDEUS ROPPAC: Seguindo o percurso está a galerie Thaddaeus Roppac, localizada nas proximidades da rue Debelleyme. Sem dúvidas, uma outra opção com uma excelente seleção de artistas contemporâneos. Além das duas salas de exposição, a Thaddaeus Roppac possui um novo galpão, inaugurado cerca de dois anos atrás em Pantin, nos arredores de Paris. Um lugar altamente recomendado, embora exija uma mini fuga da cidade. Por lá, são organizadas performances, shows e exposições num espaço amplo, com 2500 metros quadrados.
OFR. LIBRAIRIE, GALERIE: E, para fechar o roteiro, a OFR. O espaço não ostenta o título de galeria porque é, na verdade, uma livraria com pequenas exposições frequentes que disponibiliza o que há de mais novo entre publicações e livros de artistas. Fica na rue Dupetit-Thouars, próxima ao Carreau du Temple. Tem que ir!
30/05/2015_10:00

por RAISA CARLOS DE ANDRADE

Quando se pensa em viver de economia criativa, cidades como Nova York e Londres se tornam escolhas arriscadas. A mudança requer cuidado e, para viver de arte, melhor partirmos do custo de vida. Berlim, a mais comentada das cidades, está a beira da saturação.

Pensamos um pouco além e listamos novos cantos do mundo em ascensão, nos quais é possível ter acesso, ampliar o processo criativo e ser, de fato, um cidadão do mundo em paz.

LEIPZIG, na Alemanha

Para muitos, Leipzig é a nova Berlim. Com aluguéis baratos em casas pré-fabricadas, apartamentos e fábricas que podem ser reaproveitadas, a cidade é a segunda mais populosa da Alemanha.

Lá, a Leipzig Academia de Artes Visuais está repleta de novos pintores e, como a Alemanha valoriza a arte contemporânea, mesmo alunos internacionais podem estudar. E o melhor: sem pagar por isso.

ATENAS, Grécia

Com mais de 50 coletivos de arte, espalhados em lojas vazias, a capital grega está recebendo cada vez mais artistas internacionais. A crise política vivida pela Grécia serviu para dar força à arte.

Especula-se que os olhos do mundo se voltarão à Atenas em 2017, quando a cidade receberá o Documenta, evento alemão que ocupará espaços públicos com arte. Programe-se.

BOGOTÁ, Colômbia

Com preços bem mais acessíveis que os praticados no Brasil, a Colômbia já é lar para artistas há tempos. Agora, Bogotá recebe uma nova geração, cada vez menos impulsionada por dinheiro ou galerias de arte. Enquanto a street art fervilha, Bogotá emana imagens e tinta fresca esquinas.

VARSÓVIA, Polônia

Varsóvia vive o que aconteceu há cerca de dez anos em Berlim. A cena artística está escondidinha em lugares lúdicos, como castelos com energias hypadíssimas. Em setembro, a quinta edição do Warsaw Gallery Weekend lotará a cidade com uma extensa programação de eventos.

Vale ficar atento a Cracóvia, Lodz e Gdańsk que também refletem o quanto a Polônia vem se tornando um lugar delícia para se viver.

LIMA, Peru

O novo destino artístico da America Latina está no Peru. A cada ano, Lima vem atrai mais visitantes para eventos como ArtLima e Parc. Na capital peruana, a cena está dividida entre Miraflores e Barranco, bairros bem cuidados e boêmios, lotados de artistas plásticos, colecionadores e curadores.

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11/05/2015_10:00

por MILENA COPPI

Mais uma vez o Centro Cultural Banco do Brasil trás para o País a exposição de um pintor modernista espanhol. A primeira, sobre o surrealista Salvador Dalí, levou 978 mil pessoas à unidade do Rio, entre maio e setembro. Agora, é a vez do cubista Pablo Picasso invadir as galerias do CCBB-SP e Rio.

Intitulada “Picasso e a modernidade espanhola”, a exposição trás cerca de 90 obras antes só vistas no Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofía, em Madri. É uma boa oportunidade para os brasileiros, que são fãs do pintor, mergulharem no universo do espanhol que dedicou sua carreira a retratar mulheres — na maioria das vezes, suas esposas e amantes (e, coincidentemente, todas francesas!).

Quadros icônicos como “Cabeça de mulher” (1910) e “Retrato de Dora Maar” (1939) são algumas das obras que representam a fixação do pintor pelo universo feminino. Esse aspecto, aliás, levou diversos críticos a dividirem sua carreira em fases com os nomes de suas mulheres – “era Fernande”, “fase Marie-Thérèse”, “período Dora Maar”, entre outras. “O Pintor e a Modelo” (1963), também exposta durante a mostra, é outra obra em que o pintor explora sua visão particular, e muito original, de representar o corpo feminino.

Picasso, no entanto, não era um pintor de uma obra só. Dono de um talento nato para as artes — que sem dúvida herdara do pai, o também artista José Ruiz Blasco —, o pintor mudou seu estilo de pintura diversas vezes na vida. Em suas obras é possível perceber a transição: de sua fase azul, conhecida por pinturas com personagens tristes, usando apenas tons de azul, à fase rosa, quando conheceu sua mulher Fernande Olivier e passou a retratar temas alegres.

Esta fase, no entanto, não durou muito tempo. Logo, Picasso retornaria a tons mais sombrios, buscando influências em esculturas africanas que serviram de estímulo para buscar novas formas de mostrar e interpretar a realidade.

Este foi o pontapé para que, juntamente com o pintor francês Georges Braque, criasse o cubismo, considerado um dos movimentos mais importantes da história da arte moderna. Estudos e esboços de “Guernica”, uma das obras mais importantes dessa fase, estarão em cartaz na exposição que trás também criações de 35 outros artistas espanhóis. Entre eles, Salvador Dalí, seu ex mestre, e seu amigo Joan Miró.

“Picasso e a modernidade espanhola”, fica em cartaz até 8 de junho no CCBB-SP, quando desembarca na sede do Rio, e permanece de 24 de junho a 7 de setembro.

31/01/2015_22:47

por IGOR FIDALGO

Está em cartaz na Casa Daros, no Rio de Janeiro, uma coletiva que discute interdisciplinarmente as fronteiras do olhar, do entendimento e da reflexão do espectador em relação à contemplação artística. “Ilusões” reúne obras de 11 artistas plásticos (quatro deles coatuam em dupla) da proeminente cena latino-americana, todos com algum estudo acerca da subjetividade do olhar ou da ressignificação do objeto.

Logo na entrada do museu, o público é recepcionado pela instalação mecânica do argentino Leandro Erlichj. “Piedras (from the wall)” (2003) é constituída por pegadas que emergem de um leito de seixos brancos por meio de um sistema programado, dando a impressão que um homem invisível está andando por ali. Na escolha desta obra para abrir a exposição, os curadores Hans-Michael Herzog e Katrin Steffen aguçam a capacidade do público de diferenciar o que significa realidade do que significa ilusão.

Leandro Erlich, que participou de um bate-papo com o público no dia em que Sala ELLUS esteve na Casa Daros, diz que suas obras são pensadas para serem ativadas pelo espectador.

“Realidade é um elemento infinto. Meus projetos têm a capacidade de evocar polissemia entre o público, criando interessantes conversas entre obra e espectador”, disse Erlich, que ainda completou: “Primeiro promovo a experiência de campo para que haja, em seguida, uma reflexão desta experiência. Gosto de explorar diferentes maneiras de olhar as coisas”.

Outras duas obras do artista argentino integram “Ilusões”. Em “Cambiadores”, de 2008 (acima), o espectador é confrontado a entrar num provador de roupas, com cortinas e espelhos bem tradicionais. Dentro, um inteligente jogo de espelhos reflete infinitamente a imagem de quem atravessa pelas molduras e portais falsos, tudo construído com um rigor matemático digno de um projeto de arquitetura.

A paixão pela arquitetura, inclusive, veio de berço: durante a palestra, Leandro Erlich contou que vem de uma família de urbanistas e designers de interiores e que, em vez de construir edifícios, preferiu construir histórias. O uso de espelhos, recurso muito explorado no seu trabalho e presente em “Cambiadores”, é uma forma de incitar o espectador à reflexão.

“Uso o reflexo para convidar as pessoas a questionar suas reflexões internas”, respondeu ele à uma pergunta feita por nós.

A terceira obra de Erlich presente na exposição (“Las puertas”, de 2004, foto acima) parece ter saído de um filme de David Lynch: um quarto escuro, com duas portas; debaixo delas, frestas de luz insinuam que o sol ilumina o outro cômodo. Nada disso: ao atravessarmos o portal, o feixe que saía da base da porta é desativado. Do outro lado, um quarto escuro. Qualquer semelhança com as cenas perturbadores de Laura Dern e Justin Theroux em “Impérios dos sonhos” (filme de Lynch oriundo de 2006) é mera coincidência.

Também participam de “Ilusões” o artista alemão radicado no Uruguai, Luis Camnitzer, que tem na escultura tipográfica “This is a mirror. You are a written sentence”, produzida entre 1966 e 1968 (acima), um de seus mais fortes manifestos. A frase funciona como um espelho; no entanto, em vez do reflexo de quem mira na obra, uma sentença irônica que resume a obviedade das atividades prosaicas do homem pós-moderno.

Em outra obra, Camnitzer questiona o conceito de arte. Depositados em sacos plásticos, os objetos mundanos de “Arbitrary objects and their titles” (1979) — tais como lente de óculos, rolha, papel amassado, prego, dado, plástico de embrulhar, pedaço de gorgorão, corrente e pedra, entre outros — aparecem presos na parede do espaço expositivo, devidamente etiquetados com títulos-cabeça. Seria aquilo tudo, de fato, arte ou somos nós quem classificamos como arte as imagens que consumimos?

Luis Camnitzer segue discutindo arte em “Two identical objects”, de 1981 (acima), onde equaliza uma nota de 1 dólar com um pedaço de jornal, ambos do mesmo tamanho e amassados. Cá o alemão indaga: a arte é digna de ser comprada com o dólar ou merece ser embrulhada no jornal? Vale dinheiro ou deve ser descartada? Qual dos dois objetos teria maior valor artístico enquanto ready made? Esta obra é arte?

Duas instalações utilizam o terno masculino como matéria-prima elementar. Mas é o rombo que atravessa os 270 trajes (formados por paletó e camisaria) de “Silence your eyes”, de 2012 (abaixo), da dupla espanhola Los Carpinteros, que é o elemento de contemplação. Fitando a instalação por um hemisfério, é possível estender o olhar por 16 metros, já que o buraco atravessa toda a estrutura da obra.

Em “O presságio seguinte (experiência sobre a visibilidade de uma substância dinâmica)” (2007), o carioca José Damasceno explora o seu já habitual trabalho de estudo da tensão com fios segurando as paredes de um ambiente. Nesta obra, no entanto, os fios saem de dentro de um manequim vestido com um costume completo, numa das obras mais memoráveis da exposição.

Ilusões videográficas são discutidas pelo mexicano Mauricio Alejo, que apresenta cinco trabalhos reproduzidos em sequência na parede de um recuo do museu (a Casa Daros ocupa um casarão neoclássico de 1866 formado por quatro estruturas geminadas). São vídeos de durações muito curtas, que retratam objetos de dia a dia em situações de transformação e transição (como a linha colorida escorrendo pelo ralo em Red”, de 2003, de longe o nosso preferido de Alejo).

Mas é a videoarte “Boca de tabla”, de 2007 (still acima), da mexicana Teresa Serrano, que mais chamou a nossa atenção. Filmado com exímia habilidade de execução, os planos retratam a solidão de uma mulher dentro de uma casa enorme. O som de seus passos é orquestrado com o abre-fecha de portas e janelas, da mesma forma que fumaça de um cigarro é remixada ao vapor de uma chaleira.

Com ecos de M.C. Escher, a protagonista sobe e desce a escadaria de madeira em loops que se sobrepõem. Parece enclausurada dentro de uma vida dolorosa e melancólica, e a casa, enquanto labirinto implacável de isolamento, parece ser um paradigma da videoartista mexicana para falar sobre o aprisionamento sofrido por quem está eclipsado por suas ideias.

Ficou curioso? “Ilusões” fica em cartaz por mais duas semanas. A Casa Daros fica em Botafogo, Zona Sul do Rio (Rua General Severiano, 159).