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30/10/2014_19:01

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por ISA TENÓRIO

A obra de Jean-Michel Basquiat é das mais valorizadas e instigantes do mundo – ela vai do grafite nas ruas à pintura sobre tela, passando por colagens em diversos materiais e temas como morte, cultura negra e hispânica. Basquiat é referência quando o assunto é arte urbana, e nada mais instintivo do que ter ele como uma das influências do inverno 2015 da Ellus, de que já falamos aqui.

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Nova-iorquino filho de descendente de porto-riquenhos e haitiano, Basquiat, aos 3 anos,  desenhava os personagens de seus desenhos favoritos da televisão e, de tanto visitar o Museu de Arte Moderna (MOMA), chegou a ganhar carteira de sócio-mirim.

Aos 17, acompanhado do amigo Al Diaz, começou a grafitar declarações misteriosas e espirituosas nas paredes do SoHo e do East Village, sempre com a assinatura “SAMO” ou “SAMO shit”: ”same old shit”.

Antes de terminar a escola, abandonou os estudos e se mudou para o Bronx, onde vivia com os amigos e sobrevivia da venda de postais e camisetas pintadas por ele mesmo. Um ano depois, em 1979, ganhou fama no programa de televisão “TV Party” e criou a banda de noise rock “Gray”.

Após ter suas obras no The Times Square Show, participou de exposições e mostras pelo país. Uma crítica positiva feita por René Ricard fez com que sua carreira se tornasse internacional.

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No início da década de 80, Basquiat estava em todas: fez parceria com o amigo Andy Wahrol, namorou a então anônima cantora Madonna, andou ao lado de Julian Schnabel, David Salle e outros curadores e estudiosos da área, os chamados “neo-expressionistas”. Em 85, foi capa do The New York Times.

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A partir de 1986  passou a desenvolver pinturas mais figurativas. É possível observar um forte apreço pelo intelecto; nas figuras individuais, a cabeça está sempre decorada por chapéus, coroas e aréolas.

Em 1988 Basquiat morreu, no próprio estúdio, em consequência de uma overdose de “speedball”, mistura de heroína e cocaína. Em 1996 o amigo Schnabel fez um filme em que conta a trajetória desse artista de traço inconfundível: “Basquiat” é estrelado por Jeffrey Wright.

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29/10/2014_18:47

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por ISA TENÓRIO

Semana passada começamos uma série de posts falando sobre grandes artistas gráficos do mundo. O primeiro foi o gênio Stephen Sprouse, que deixou sua assinatura visual em peças de vestuário. Hoje apresentamos o artista e ativista que ficou famoso pela sua arte nas estações de metrô, Keith Haring.

Ainda jovem, Haring entrou para a Ivy School of Professional Art, em Pittsburgh, mas percebeu que não queria ser um artista comercial. Abandonou a escola de arte e foi para Nova York. Na cidade, se matriculou na School of Visual Arts e, paralelamente a isso encontrou um grupo de jovens artistas alternativos que surgia fora das galerias. Junto deles, conheceu inúmeros músicos, performáticos e grafiteiros, como Kenny Scharf, Jean-Michel Basquiat e Madonna.

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Haring então se dedicou a tornar sua arte pública, começando pelos painéis pretos sem propaganda das estações de metrô - com giz branco, traçava até 40 desenhos por dia. Em 1981 fez sua primeira exposição, no Westbeth Painters. Em 1989, abriu a Pop Shop, no SoHo, em Nova York, que chegou a  ganhar filial em Tóquio. A loja era uma extensão de seu trabalho, em que sua arte se tornava acessível a todos os públicos, com camisetas, chaveiros e outros produtos assinados pelo artista.

Haring não queria criar apenas uma loja, mas um espaço de socialização e cultura, onde as pessoas pudessem absorver o máximo da arte encontrada no local. No ano seguinte da abertura da Pop Shop, Haring foi diagnosticado com AIDS. Logo ele decidiu criar a Keith Haring Foundation, uma instituição de ajuda na arrecadação de fundos para a conscientização da doença e ajuda de crianças infectadas.

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Haring morreu aos 31 anos, por complicações relacionadas à doença, deixando um legado enorme – Keith Haring participou de muitas exposições internacionais, entre elas a Documenta 7 e a Bienal Internacional de Arte de São Paulo. Fez também trabalhos para grandes empresas, como a animação chamada “Spectacolor” para os painéis da Times Square, as estampas para os relógios da Swatch e uma campanha publicitária para a vodca Absolut, além de diversas intervenções em ruas pelo mundo, como os grafites no Muro de Berlim.

Sua última obra, o mural ‘Tuttomondo”, perto da igreja de Sant’Antonio Abate, na Itália, foi dedicada à paz mundial. Esse e outros temas como amor, sexualidade, nascimento, morte, liberdade e preconceito foram bastante explorados por ele. Inspirado pelo manifesto “The Spirit Art” de Robert Henri, buscou uma independência, um tipo singular de expressão gráfica. Desenvolveu o gosto pelas linhas grossas e simples, cores vibrantes e desenhos expressivos. Mesmo após sua morte, influenciou muitos artistas e projetos, como as coleções de roupa de Jean-Charles Castelbajac em 2002 e de tênis da Reebok, a “Crack is Wack”, neste ano.

 

28/10/2014_17:49

por ISA TENÓRIO

A vida na cidade, o grafite e outras interferências urbanas dos anos 80 e 90 foram as inspirações para a nova coleção da ELLUS, como já vimos aqui.

O cinema teve grande influência no inverno 2015 da marca, por isso separamos três sugestões de filmes para você já entrar no clima do próximo desfile, que acontece semana que vem na São Paulo Fashion Week.

“The Warriors” (1983)

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Na Nova York de 1979, o líder da maior gangue da cidade, o Gramercy Riffs, declara trégua e chama todos os jovens delinquentes para tentar controlar a cidade, já que estão em número muito maior que a polícia. Na reunião geral no bairro do Bronx, Gramercy acaba sendo assassinado pelo líder do grupo Rogues, que por sua vez culpa o jovem Fox, membro do Warriors. Após a morte, é anunciada na rádio da cidade a caçada por responsáveis pelo crime – vivos ou mortos. Então os Warriors começam uma corrida para se salvarem.

“Wild style” (1983)

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O pioneiro filme de hip hop conta a história romântica entre os grafiteiros Zoro e Ladybug, que vivem de pintar ruas e trens. A narrativa mostra a vida dos jovens artistas, entre festas, freestyles e mixagens. Um clássico para quem gosta de hip hop e arte.

“Streets of fire” (1984)

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Enquanto a cantora de rock Ellen Aim se preparava para um show, acaba sendo sequestrada pelos Bombers, gangue de motoqueiros malfeitores da cidade. Na busca para resgatá-la, seu produtor, seu ex-namorado, o atual e um ex-soldado enfrentam uma aventura perigosa.

24/10/2014_16:34

por CLÉO SANTIAGO

Até a próxima quarta-feira, São Paulo abriga a 38ª Mostra Internacional de Cinema, que exibe 330 títulos de diversos países em salas de cinema, museus e espaços culturais espalhados pela cidade. Como já é uma tradição, a mostra retrata o que o cinema contemporâneo está produzindo; as estéticas e as temáticas que traçam um panorama mundial da sétima arte.

Para aproveitar a última semana da mostra, listamos cinco filmes imperdíveis. Boas sessões!

(SÁBADO) “A vida privada dos hipopótamos”: Um americano entediado se muda para a Colômbia para conhecer os hipopótamos que o traficante Pablo Escobar deixou em sua propriedade. Lá ele conhece uma mulher por quem se apaixona e vive um romance conturbado. O que seria facilmente a trama de um filme de ficção é a história de Christopher Kirk, preso em 2009 no Brasil por tráfico internacional de drogas. Obra imperdível da Mostra Brasil! No Espaço Itaú de Cinema Frei Caneca, às 16h30.

(DOMINGO) “Ninfomaníaca”: As controversas cenas de sexo explícito, acreditem, foram editadas! Para ser distribuído comercialmente, o filme de Lars Von Trier recebeu cortes e foi dividido em dois. Na 38ª Mostra, a versão do diretor é exibida integralmente. No Reserva Cultural, às 21h30.

(SEGUNDA) “Sinfonia de Necrópole”: Na cidade de São Paulo, a rotina do aprendiz de coveiro Deodato muda quando uma nova funcionária chega ao cemitério. Juntos, eles precisam fazer o recadastramento dos túmulos abandonados.  Quanto mais eles mexem nestas covas, acontecimentos esquisitos começam a acontecer, fazendo o coveiro repensar na sua profissão. Você teria coragem? No Espaço Itaú de Cinema, às  16h10.

(QUARTA) ”Cássia”: A lembrança que temos de Cássia Eller é de uma cantora extrovertida — um tanto quanto enlouquecida — e com pleno domínio do palco. Já a imagem que os amigos guardam é a da mulher tímida, alheia aos holofotes e muito ligada à família. O documentário de Paulo Henrique Fontenelle tenta mostrar os dois lados da cantora, que faleceu precocemente em 2001 deixando seu legado para a música brasileira. No CineSala SABESP, às 21h50.

(QUARTA) “Maus hábitos”: A mostra deste ano conta com uma retrospectiva do trabalho do espanhol Pedro de Almodóvar e este filme merece ser visto. Além de ser um dos primeiros filmes do renomado diretor, o longa de 1983 é um de seus maravilhosos deboches sobre a sociedade da época, tendo a Igreja Católica espanhola como personagem principal. No Cine Caixa Belas Artes, às 21h30.

12/09/2014_19:37

por IGOR FIDALGO

No prefácio do guia de obras da 31º Bienal Internacional de Artes de São Paulo, Luis Terepins, presidente da fundação que organiza o evento há mais de seis décadas, escreveu: ”Como falar de coisas que não existem pode parecer, à primeira vista, um tema abstrato”. De tão profunda, a máxima de Terepins nos incita uma contextualização: não seria talvez este o epítome das artes plásticas?  Afinal, os conceitos trabalhados por artistas plásticos só existem a partir da criação da obra.

O título desta edição do evento, que o ocupa o Pavilhão das Artes da Bienal desde o dia 6, é uma provocação. ”Como (…) coisas que não existem” deixa uma lacuna para a ação. Ali, encaixam-se os verbos “encontrar”, “sentir”, “imaginar”, “usar”, “lutar” e “ler”. A performance mutável da expressão insinua a proposta da 31ª Bienal, que prioriza obras (e também artistas e coletivos artísticos) em constante transformação.

A herança modernista, tão forte em outras bienais, é deixada de lado para dar destaque a novas leituras, como a interferência que um tipo de arte assere na cultura local de uma região. A ideia de uma arte mais conectada com as problemáticas do mundo atual promove uma discussão acerca de conflitos, mudanças, transgressões e imaginação. É isto que você verá nas 250 obras que estão expostas até o dia 8 de dezembro.

Oitenta e um artistas foram selecionados para esta bienal e, segundo a curadora Nuria Enguita Mayo, todos eles estão ligados a projetos de arte educativos. Fiquem atentos ao “Programa no Tempo”, série de performances, oficinas, encontros públicos e discussões que acontecerão duas vezes por semana, sempre às quartas- feiras e aos domingos.

Talvez fique mais fácil entender o mundo que nós vivemos com ajuda da 31ª Bienal de Artes. Ou então, pelo menos, teremos exemplos palatáveis de como focar nas coisas que existem.