• 05/02/2015_22:34

    por ISA TENÓRIO

    Tirar da capa, limpar a poeira com um paninho, colocar no prato, posicionar a agulha com todo cuidado. Depois de alguns segundos de suspense e das deliciosas notas sujas que só os long-plays têm, começa a primeira faixa do disco. Esta é a sensação que um vinil proporciona: ficar sentado ao lado da picape (há que ainda tenha vitrola — muito mais charmoso, aliás), vendo a rodela rodando infinitamente.

    A turma hipermoderna (termo cunhado pelo filósofo Gilles Lipvetsky), que ouve música em aplicativos como Spotify, Rdio e Deezer, certamente não entendem a sensação que outras gerações tiveram a fazer a primeira audição de um disco de vinil.

    Aos amantes deste ritual, damos boas notícias: desde 2013, as vendas de LPs aumentaram nos Estados Unidos, no Reino Unido e no Brasil, mostrando que a mídia fonográfica está mais viva do que nunca.

    Prova disto é o programa “Minha loja de discos”, cuja segunda temporada está em reprise no canal a cabo BIS (segunda-feira, às 19h). Dirigida pelo jornalista Rodrigo Pinto (abaixo), a série documental percorre os lendários empreendimentos especializados em LPs do Reino Unido, um grupo que persistiu quando as vendas dos discos começaram a cair. Os proprietários contam como sobreviveram ao advento do compact-disc e à música digital, além de conectar Pinto a clientes que são verdadeiros entusiastas da cena.

    Jack White é um dos músicos que capitaneiam a (re)difusão do formato. O seu segundo álbum solo, “Lazaretto”, vendeu mais de 40 mil bolachas.

    Segundo a SoundScan, órgão responsável pelos números referentes à indústria, o disco de 2014 tornou-se o vinil mais vendido em uma semana desde 1994 (ultrapassou as vendas de “Vitalogy”, do Pearl Jam). 

    Os britânicos do Arctic Monkeys, o duo Daft Punk e os queridinhos indie The Strokes também são incentivadores do movimento em prol da volta dos bolachões.

    Brasileiros não ficam atrás: Fernanda Takai, Pitty e Nação Zumbi também entraram na onda e lançaram seus álbuns no formato LP. A banda carioca Glass N’ Glue, liderada pela stylist Marininha Franco (que faz um rock sexy e supercool que a ELLUS ama), dividiu as músicas do álbum de estreia, “Give me some of your dreams”, em três compactos coloridos (abaixo).

    Com o aumento da produção dos vinis, a venda de toca-discos também aqueceu o mercado. Pasmem: modelos modernos vem até com entradas USB.

    Ficou com vontade de se confortar na poltrona degustando aquela textura sonora que só os long-plays te dão? Abaixo, um top 5 da onde você pode comprar discos, picapes e quetais.

    1) EM SÃO PAULO: na Rhythm Records, dentro da Galeria do Ouro Fino (Rua Augusta, 2690 – Cerqueira Cesar).

    2) NO RIO DE JANEIRO: podem ser encontrados na loja Tracks (Praça Santos Dummont, 140 – Baixo Gávea).

    3) EM BELO HORIZONTE: na All Wave Discos (Rua do Rio de Janeiro, 630, loja 44 – Centro).

    4) EM BRASÍLIA: no Berlin Discos (Setor de Diversões Sul, Edifício Miguel Badya, bloco L, loja 63).

    5) EM CURITIBA: no Vinyl Club (Rua Ébano Pereira, 196, loja 05).

    31/01/2015_22:47

    por IGOR FIDALGO

    Está em cartaz na Casa Daros, no Rio de Janeiro, uma coletiva que discute interdisciplinarmente as fronteiras do olhar, do entendimento e da reflexão do espectador em relação à contemplação artística. “Ilusões” reúne obras de 11 artistas plásticos (quatro deles coatuam em dupla) da proeminente cena latino-americana, todos com algum estudo acerca da subjetividade do olhar ou da ressignificação do objeto.

    Logo na entrada do museu, o público é recepcionado pela instalação mecânica do argentino Leandro Erlichj. “Piedras (from the wall)” (2003) é constituída por pegadas que emergem de um leito de seixos brancos por meio de um sistema programado, dando a impressão que um homem invisível está andando por ali. Na escolha desta obra para abrir a exposição, os curadores Hans-Michael Herzog e Katrin Steffen aguçam a capacidade do público de diferenciar o que significa realidade do que significa ilusão.

    Leandro Erlich, que participou de um bate-papo com o público no dia em que Sala ELLUS esteve na Casa Daros, diz que suas obras são pensadas para serem ativadas pelo espectador.

    “Realidade é um elemento infinto. Meus projetos têm a capacidade de evocar polissemia entre o público, criando interessantes conversas entre obra e espectador”, disse Erlich, que ainda completou: “Primeiro promovo a experiência de campo para que haja, em seguida, uma reflexão desta experiência. Gosto de explorar diferentes maneiras de olhar as coisas”.

    Outras duas obras do artista argentino integram “Ilusões”. Em “Cambiadores”, de 2008 (acima), o espectador é confrontado a entrar num provador de roupas, com cortinas e espelhos bem tradicionais. Dentro, um inteligente jogo de espelhos reflete infinitamente a imagem de quem atravessa pelas molduras e portais falsos, tudo construído com um rigor matemático digno de um projeto de arquitetura.

    A paixão pela arquitetura, inclusive, veio de berço: durante a palestra, Leandro Erlich contou que vem de uma família de urbanistas e designers de interiores e que, em vez de construir edifícios, preferiu construir histórias. O uso de espelhos, recurso muito explorado no seu trabalho e presente em “Cambiadores”, é uma forma de incitar o espectador à reflexão.

    “Uso o reflexo para convidar as pessoas a questionar suas reflexões internas”, respondeu ele à uma pergunta feita por nós.

    A terceira obra de Erlich presente na exposição (“Las puertas”, de 2004, foto acima) parece ter saído de um filme de David Lynch: um quarto escuro, com duas portas; debaixo delas, frestas de luz insinuam que o sol ilumina o outro cômodo. Nada disso: ao atravessarmos o portal, o feixe que saía da base da porta é desativado. Do outro lado, um quarto escuro. Qualquer semelhança com as cenas perturbadores de Laura Dern e Justin Theroux em “Impérios dos sonhos” (filme de Lynch oriundo de 2006) é mera coincidência.

    Também participam de “Ilusões” o artista alemão radicado no Uruguai, Luis Camnitzer, que tem na escultura tipográfica “This is a mirror. You are a written sentence”, produzida entre 1966 e 1968 (acima), um de seus mais fortes manifestos. A frase funciona como um espelho; no entanto, em vez do reflexo de quem mira na obra, uma sentença irônica que resume a obviedade das atividades prosaicas do homem pós-moderno.

    Em outra obra, Camnitzer questiona o conceito de arte. Depositados em sacos plásticos, os objetos mundanos de “Arbitrary objects and their titles” (1979) — tais como lente de óculos, rolha, papel amassado, prego, dado, plástico de embrulhar, pedaço de gorgorão, corrente e pedra, entre outros — aparecem presos na parede do espaço expositivo, devidamente etiquetados com títulos-cabeça. Seria aquilo tudo, de fato, arte ou somos nós quem classificamos como arte as imagens que consumimos?

    Luis Camnitzer segue discutindo arte em “Two identical objects”, de 1981 (acima), onde equaliza uma nota de 1 dólar com um pedaço de jornal, ambos do mesmo tamanho e amassados. Cá o alemão indaga: a arte é digna de ser comprada com o dólar ou merece ser embrulhada no jornal? Vale dinheiro ou deve ser descartada? Qual dos dois objetos teria maior valor artístico enquanto ready made? Esta obra é arte?

    Duas instalações utilizam o terno masculino como matéria-prima elementar. Mas é o rombo que atravessa os 270 trajes (formados por paletó e camisaria) de “Silence your eyes”, de 2012 (abaixo), da dupla espanhola Los Carpinteros, que é o elemento de contemplação. Fitando a instalação por um hemisfério, é possível estender o olhar por 16 metros, já que o buraco atravessa toda a estrutura da obra.

    Em “O presságio seguinte (experiência sobre a visibilidade de uma substância dinâmica)” (2007), o carioca José Damasceno explora o seu já habitual trabalho de estudo da tensão com fios segurando as paredes de um ambiente. Nesta obra, no entanto, os fios saem de dentro de um manequim vestido com um costume completo, numa das obras mais memoráveis da exposição.

    Ilusões videográficas são discutidas pelo mexicano Mauricio Alejo, que apresenta cinco trabalhos reproduzidos em sequência na parede de um recuo do museu (a Casa Daros ocupa um casarão neoclássico de 1866 formado por quatro estruturas geminadas). São vídeos de durações muito curtas, que retratam objetos de dia a dia em situações de transformação e transição (como a linha colorida escorrendo pelo ralo em Red”, de 2003, de longe o nosso preferido de Alejo).

    Mas é a videoarte “Boca de tabla”, de 2007 (still acima), da mexicana Teresa Serrano, que mais chamou a nossa atenção. Filmado com exímia habilidade de execução, os planos retratam a solidão de uma mulher dentro de uma casa enorme. O som de seus passos é orquestrado com o abre-fecha de portas e janelas, da mesma forma que fumaça de um cigarro é remixada ao vapor de uma chaleira.

    Com ecos de M.C. Escher, a protagonista sobe e desce a escadaria de madeira em loops que se sobrepõem. Parece enclausurada dentro de uma vida dolorosa e melancólica, e a casa, enquanto labirinto implacável de isolamento, parece ser um paradigma da videoartista mexicana para falar sobre o aprisionamento sofrido por quem está eclipsado por suas ideias.

    Ficou curioso? “Ilusões” fica em cartaz por mais duas semanas. A Casa Daros fica em Botafogo, Zona Sul do Rio (Rua General Severiano, 159).

    28/01/2015_16:00

    por ISA TENÓRIO

    Que atire o primeiro x-tudo (assim mesmo, com a letra “X” no lugar da palavra “cheese”) quem nunca se rendeu a um podrão. Ou vá dizer que você, no ápice da larica, nunca voou no pacote de pipoca vendido naquela carrocinha da esquina (caprichado no leite condensado, por favor) ou ignorou o mistério que ronda a receita dos tradicionais churros fritos em óleo duvidoso, empanados em uma suposta mistura de açúcar e canela, para se deliciar com o recheio de doce de leite em dias de fúria gastronômica?

    Mas qual é do hype das comidas de rua? Se antes os glutões puristas ou os naturebas xiitas torciam o nariz para barraquinhas e quetais, a febre dos food trucks tem feito esta turma abrir a boca.

    Os caminhões gastrô comercializam de tudo: do fast food à comida japonesa — tudo com tempero sofisticado, e, de preferência, apresentados em um cardápio gourmet.

    Dando um upgrade no formato difundido pelas caminhonetes de sorvete que muito vemos pelos Estados Unidos (foto acima), estes restaurantes sobre rodas estão por toda São Paulo. Abaixo, um GPS para você encontrá-los.

    BLACK ‘N LOAD COFFEE TRUCK: Esta cafeteria sobre rodas surpreende com a quantidade de opções, servindo do clássico espresso ao afogato.

    Dica: experimente o waffle de nutela e os biscoitos artesanais. O food truck não tem ponto fixo, mas a Sala ELLUS descobriu onde ele vai estar amanhã: no Evento Gastronômico do Bem (Praça Charles Miller – Pacaembú).

    D’MACARONS: Os famosos doces franceses foram para as ruas neste nada discreto trailer rosa. Tem 12 recheios — entre eles, destaque para o de banana caramelada, o de pistache e o de frutas vermelhas.

    Saboreie no Butantan Food Park (Rua Agostinho Cantu, 47 – Butantã) e na Feirinha Gastronômica Jardim das Perdizes (Av. Marquês de São Vicente, 2300 – Barra Funda).

    LOS MENDOZITOS: Pode um food truck não vender food? Segundo o Los Mendozitos, pode sim.  São servidos apenas vinhos da região da Mendoza, na Argentina, mas de diferentes classes (tinto, rosé, brancos, espumantes) e com preços acessíveis (taças variam de R$ 10 a R$ 16).

    Este wine truck vai estar sábado no Viradão Cultural (altura da Av. Europa), na Pracinha Oscar Freire (Rua Oscar Freire, 974) e no Butantan Food Park. No domingo, pode ser encontrado no Panela de Rua (Praça Benedito Calixto, 85 – Pinheiros).

    MASSA NA CAVEIRA: Sabores sugeridos pelos clientes são adicionados ao cardápio desta combi especializada em pizzas. Sugerimos a de shimeji com mussarela e alho-poró e abobrinha com cream cheese.

    Há que diga a de ganache de chocolate com uva e banana é um sonho.

    SPIRO GIRO: Comidas árabes (ave, kebab) são as atrações deste truck. É claro que o falafel e as batatas rústicas não poderiam faltar.

    Mas a boa notícia é para os paulistas de Campinas: este tem ponto fixo na Av. Albino José Barbosa de Oliveira, 1539, em Barão Geraldo.

    TEMAKI PAULISTA: Não precisamos nem explicar o cardápio, só frisar que há variedade. E este truck não vive só de temakis (experimente o bolinho de salmão crispy).

    Também tem pontos fixos: um em Perdizes (Av. Sumaré) e dois em Santana (Av. Luiz Dumont Villares, 560 e Praça Heróis da Força Expedicionaria).

    BURRITOS BRAVO: Você pode ficar mais perto do México almoçando neste caminhãozinho, que, é claro, além dos burritos, tem nachos, tem tacos e, para quem está de dieta, tem até uma boa salada!

    Neste sábado, estará estacionado em frente à Arena Corinthians (Avenida Miguel Ignácio Curi, 111 – Estação Itaquera).

    28/01/2015_15:11

    por IGOR FIDALGO

    Como você leu neste post, normcore é uma forte tendência de comportamento contemporânea. Numa análise profunda, ser norm tem mais conexão com atitude do que com forma de se vestir. Segundo o estudo da K-Hole com a Box 1824, os norms não precisam de liberdade para serem quem quiserem; eles são livres para estar com quem quiserem.

    É a filosofia da transitoriedade, da liberdade de expressão com base no efeito global, do afeto geral, e de fato como escreveu Gloria Kalil, pode ser simbolizado como a epistemologia da inclusão. O trecho a seguir do estudo seminal sobre a tendência compara bem: “Enquanto os indies falam sobre o sonho que tiveram na noite passada, os normcores se expressam em relação ao clima. Os seus sonhos só interessam a você, mas questões climáticas afetam todo mundo”.

    De lá pra cá, o assunto ganhou diversas interpretações e, é claro, serviu de referência para ensaios de moda, virou pauta em blogs e causou impacto no estilo de muita gente inspiradora. Trendsetters abriram mão de estampas e grafismos em prol de um uniforme minimalista.

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    26/01/2015_13:15

    por IGOR FIDALGO

    O termo normcore apareceu pela primeira vez em “Youth mode: a report from freedom”, estudo produzido a quatro mãos pelos birôs de tendência e comportamento jovem K-Hole (Nova York) e Box 1824 (São Paulo). O relatório data de outubro de 2013.

    Seis meses depois, na matéria “The new normal”, de Alex Williams, a moda de se vestir com jeans e camiseta branca (às vezes, com casaco de moletom; sempre com tênis monocromático) ganhou destaque no The New York Times, afetando toda a comunicação contemporânea de moda — alicerçada por fashion bloggers de todo o mundo e confirmada pelas revistas mais conceituadas que conhecemos.

    Em novembro de 2014, Gloria Kalil escreveu no site Chic que normcore é a moda da inclusão: “Meus tios e a grande maioria das minhas tias são normcore, assim como o porteiro do meu prédio, o técnico de televisão, os motoristas de táxi… O normcore pôs todo mundo na moda!”, escreveu a editora de moda na ocasião.

    Alheios a estes questionamentos, a Sala ELLUS confirma a tendência com dois looks que levantam a bandeira do menos é mais. Ou melhor: do ser normal é mais. Neste post, a produção feminina total white. Amanhã publicamos uma sugestão normcore masculina!

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