• 14/03/2016_15:00
    POR DENTRO DO FESTIVAL LOLLAPALOOZA BRASIL EM 2016

    Quem acompanha o Instagram da ELLUS certamente espiou a cobertura do Lollapalooza Brasil 2016, e pescou que, para nós, esta edição foi ainda mais intensa do que a do ano passado. O festival, que aconteceu no Autódromo de Interlagos (como de costume desde 2014), deu o que falar — e nós vamos revelar aqui o que foi dito.

    Depois de tanta expectativa para o dia 12 de março, fica difícil acreditar que o adorado Lolla já chegou e já se foi. Considerando que tempestades avassalavam São Paulo 48 horas antes do grande dia, tudo foi conduzido com a mais suprema maestria. Por destino ou coincidência, no primeiro dia do espetáculo, nem uma gota de chuva caiu e arriscamos dizer que mesmo que o mundo tivesse caído, ainda teria sido incrível, já que no segundo, o pé d’água foi amenizado pela estrutura bem-pensada: uma extensa área cobertagramado com tapete de plástico. 

    Além das 52 atrações musicais, o ambiente do festival criou um universo paralelo, movido por gastronomia e pela experiência gerada através de toda a decoração temática presente no espaço, que contou com divertimentos como um carrossel e uma roda-gigante para deixar as vibrações ainda mais altas.

    “A ideia é oferecer uma experiência. Na realidade, é uma experiência totalmente diferente, tem muito mais coisa que a música. A música, logicamente, é a grande âncora do evento, mas acontece muita coisa ao redor dessa música”, fundamentou Fernando Alterio, organizador do Lollapalooza no Brasil, alguns dias antes da diversão toda.

    Após a realização do evento, uma internauta tweetou com a hashtag do festival (#lollapalooza2016), “você nunca volta o mesmo”, atestando que as inovações deste ano foram bem-sucedidas.

    Os melhores shows, de acordo com uma votação feita no site oficial do Lollapalooza, foram os de Jack Ü, conjunto eletrônico arrebatador formado por Diplo & Skrillex; Mumford & Sons, grupo britânico de folk que tem se aventurado em explorações do rock; Florence + The Machine, espirituosa cantora inglesa cujas apresentações se assemelham a um musical alucinante (a deste domingo, que fechou o Palco Skol no último dia, foi avaliada pelo UOL como “um mergulho no mundo das fadas”), e Eminem, rapper considerado a atração mais esperada do primeiro dia.

    Além destes, os headliners do line-up incluíram grandes nomes da música na atualidade, como o autêntico quinteto islandês, Of Monsters And Men; a encantadora galesa, Marina And The Diamonds, que fechou o primeiro dia com chave de ouro no Palco Axe; a banda australiana de pop-rock psicodélico, Tame Impala, que animou o público com faixas de “Currents” (o terceiro álbum); os americanos que apostam em southern rock e blues, Alabama Shakes; Karol Conká, a rapper brasileira mais queridinha da Ellus (com participação surpresa de MC Carol na sua apresentação), e Halseynew face norte-americana que se manteve no topo dos trending topics do Twitter no decorrer do primeiro dia de festival, quando ela se apresentou.

    A escolha caprichada e diversa do line-up deste ano, abrangendo livre escolha entre quatro palcos, tornou a edição inesquecível e o time da ELLUS está mais do que ansioso pelo ano que vem. Já? Mas é claro! Nenhum festival brasileiro se compara ao Lollapalooza — o público está aí para legitimar isso.

    17/02/2016_13:56
    COM CHANCELA DE CONVITE DA RED BULL MUSIC ACADEMY, FESTA REBU.ZONA MOVIMENTA NOITE DO RIO

    A festa Rebu nasceu na Casa Daros (Rua Gen. Severiano, 159, Rio de Janeiro), espaço multidisciplinar que costumava abranger exposições de arte latino-americanas e um restaurante e café. A estrutura do século 19, espaçosa e cultural, pareceu o lugar ideal para Esdras (D/ACCORD), produtor da Rebu, que conseguiu fazer três edições da festa no recinto antes de ser informado que o mesmo fecharia suas portas.

    “Senti um nó na garganta”, revelou ele. Entretanto, os organizadores não deixaram o ocorrido acabar com a folia. Partindo de uma atmosfera intimista e abrindo portas para novas experiências, a Rebu encontrou um novo espaço e se transformou em Rebu.Zona. “O agito estava lá, então colocamos fermento na receita e faremos nossa primeira edição da Rebu.Zona”.

    Com apoio da Red Bull Music Academy, a edição será uma parceria entre a Rebu e a festa Gota, que teve sua primeira edição na Casa Nuvem (Rua Morais e Vale, 18, Rio de Janeiro). Além de três pistas, o evento contará com nada mais, nada menos do que 13 atrações; dentre elas, o francês Gilb’R, o peruano Zufu, o argentino Nina Soul, os brasileiros Carrot Green e Gustavo Tata, e um live act sinestésico de Kinkid, em parceria com o VJ Diego Bragança. 

    O DJ Gustavo Tata, que tocará pela primeira vez em uma festa da Rebu, confessou estar ansioso pois, segundo ele, “a expectativa é grande”. Ele elucida: “É cada vez mais difícil ter a chance de tocar algumas das coisas que vou tocar, e isso gera uma ansiedade sobre a construção do set no momento da apresentação e quanto à receptividade do público na hora”. Esta ansiedade gerou nele uma vontade muito grande de surpreender o público e, para concluir, o artista disse ter certeza que vai ser maravilhoso. A Sala Ellus concorda!

    O evento tem início marcado às 21h da sexta-feira (19) e será no Studio do Cais (Via Binário do Porto, 476), em Santo Cristo, no Rio de Janeiro. Para aquecer, ouça um set do maior destaque da noite, Carrot Green, integrante do grupo Red Bull Music Academy:

    24/01/2016_10:00
    SPORTS FOR A FUTURE GENERATION

    por LUA SARAIVA

    Os números comprovam: fazer atividade física pode evitar cerca de 300 mil mortes por ano — isso, só no Brasil, de acordo com recente matéria do jornal O Globo. Já no mundo, o número é ainda mais expressivo: 5,3 milhões de pessoas sedentárias morrem anualmente. Ainda segundo a mesma pesquisa publicada no jornal carioca, 70% da nossa população não é considerada fisicamente ativa e uma ínfima parcela (de 2% a 5% dos brasileiros) se exercitam na intensidade ideal.

    Pode parecer exagero, mas a prática regular de exercícios é de suma importância para a qualidade de vida. Estudos apontam, inclusive, que o exercício físico ajuda a prevenir a doença de Alzhemier e a insuficiência cardíaca.

    Entretanto, ao contemplar a sociedade, percebe-se que atualmente, o objetivo não é simplesmente praticar exercícios, e sim potencializar estes momentos encontrando o ponto ideal da mescla entre esportes, tecnologia e diversão. 

    Em contraponto a essa ideia, academias com ambientação old-school e treinamentos baseados em força também estão em alta. Resumindo: está na moda ser fit!

    O WGSN, importante birô de pesquisa de tendências que todos nós da ELLUS não vivemos sem ler, publicou recentemente um report sobre pesquisas relativas a fitness. Atualmente, os assuntos chave do universo fitness incluem corrida em grupo — que combina a excitação de correr com o instinto de competitividade, reatribuindo popularidade às esteiras — no lugar de corrida solo, ênfase em treino bodyweight, e sets de exercícios específicos para cada gênero. 

    Além disso, por influência das mídias sociais, a dança tem sido muito difundida como prática física; nos treinos, foca-se na construção do corpo, bem como na autoconfiança, proporcionando saúde e prazer simultaneamente.

    O conceito de fitness imersivo é provavelmente o mais inovador: com tecnologia LED e design, essa ideia ressignifica os treinos ao introduzir um visual estimulante através de telas de projeção e simulações virtuais.

    O playtime também incorpora elementos inusitados ao workout, consistindo em incentivar as pessoas a praticarem exercícios em um parque infantil, onde o escorrega se torna um plano de inclinação para fazer abdominais e o balanço serve para treinamentos suspensos. 

    Já o exercício barrecore começou a crescer em popularidade em 2014 e, desde então, evoluiu com variações associadas a elementos de pilates, TRX, cardio e HIIT. O treino divertido e cheio energia incorpra dança, pilates, yoga e é centrada em torno dos músculos abdominais.

    Admita: não ficou com curiosidade de experimentar estas inovações e incrementar positivamente as estatísticas que abriram este post? Let’s get physical!

    07/09/2015_10:00
    7 DE SETEMBRO: SETE ARTISTAS BRASILEIROS QUE MANTÉM NOSSA INDEPENDÊNCIA CULTURAL

    por RAISA CARLOS DE ANDRADE

    Se existe um ponto no qual o País alcançou sua independência e permanece com devoção, este é a cultura. Celebramos a nossa liberdade com quem não deixa de alavancar o Brasil e faz ver que, em tempos atuais, podemos tentar ignorar assuntos pesados relacionados à crise quando nos debruçamos nos nossos valores artísticos.

    A seguir, sete nomes para afastar qualquer saudosismo. Em comum, o talento e aquela estranha mania de ter fé na vida para entender o momento exato de apostar. Diante do clamor pelo “Independência ou Morte” declarado há exatos 193 anos, seguimos brasileiramente firmes quando se trata de mentes culturais que criam.

    MÚSICA: Alice Caymmi

    O sobrenome imponente não é nenhuma novidade. Neta de Dorival, sobrinha de Nana e Dori e filha de Danilo, Alice herdou a potência vocal da família e, em “Rainha dos Raios”, seu segundo e iconoclasta álbum, consegue aferir sobre arte, politeísmo e amor com a sua música e a sua imagem.

    Nada a comprime: possui opiniões fortes até mesmo em entrevistas, maquiagem marcada e corpo que quebra regras em meio a uma ditadura de beleza sem fim. A verdade é que Alice deixa os limites distantes do que foi prescrito e essa mistura, que foge da delicadeza, é a principal razão pela qual Paulo Borges tenha se encantado a ponto de ser o diretor artístico desta turnê.

    PRESTE ATENÇÃO: Nas releituras em samba-canção e bolero eletrônico que ela faz de “Princesa”, hit funk noventista de MC Marcinho, e “Meu mundo caiu”, hino da fossa imortalizado por Maysa, respectivamente (clique nos nomes das músicas para ouvi-las no Spotify). 

    CINEMA: Karim Aïnouz

    O cineasta de origem argelina é o nome por trás de “Madame Satã” (2002), “O céu de Suely” (2002) e, o mais recente deles, “Praia do Futuro”. O filme de 2014 se tornou assunto ao colocar Wagner Moura vivenciando um romance com o ator alemão Clements Schick e, no lançamento, Aïnouz sabia o quanto este debate seria pertinente. Pois afinal, vivemos um tempo em que a morte de um homossexual a cada 28 horas ainda é uma realidade no Brasil.

    Nascido em Fortaleza, o diretor e roteirista hoje se divide entre suas origens, São Paulo e Berlim e, talvez por isso, “Praia do Futuro” (cuja resenha completa no jornal online The New Frame Post merece ser lida) vale também pela impecável direção de arte oitentista e por “Helden”, versão em alemão de “Heroes”, de David Bowie, ser a música-tema.

    PRESTE ATENÇÃO: Em “Viajo porque preciso, volto porque te amo”, filme de 2009 alavancado pelo clima contemplativo que por, muito tempo, esteve presente em tudo que o diretor fez. E fique ligado também no seu projeto mais recente, estartado em março desse ano, “Velázquez ou o realismo selvagem”.

    ARTE: Mauricio Ianes

    O artista plástico santista é formado pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e sempre se interessou por diversos campos na cultura. Na moda, foi diretor criativo da extinta Zapping, consultor de estilo de Walter Rodrigues e, desde o icônico desfile de formação de Alexandre Herchcovitch na Faculdade Santa Marcelina em 1993, colabora em styling e branding nos desfiles e campanhas do estilista paulistano.

    Nas artes, Ianes já participou de dez exposições, entre mostras individuais e coletivas. Após residências artísticas na Cité Internacionale des Arts, em Paris e no Quartier 21, em Viena, levou dois de seus projetos à Bienal de Arte de SP, sendo uma instalação, questionando o papel do público na comunicação da arte, e uma performance, na qual caminhou nu por duas semanas em um andar vazio do prédio.

    PRESTE ATENÇÃO: Agenciado pela Galeria Vermelho, de São Paulo, Ianes integra anualmente a programação do Verbo, festival internacional de performance, e foi um dos artistas brasileiros inseridos na residência de Marina Abramović no Sesc Pompéia (veja vídeo de uma de seus apresentações aqui).

    MODA: Helô Rocha

    Após anos à frente da Têca, a estilista Helô Rocha declarou morte da sua marca original para, em seguida, dar luz a duas grifes batizadas com seu nome e sobrenome. Dividida entre as linhas Helô Rocha Black, especializada em moda couture, e Helô Rocha White, para looks casuais, Helô continua investindo na estamparia como o seu ponto de convergência.

    Ela está no time dos estilistas ao que o Brasil está atento e sua primeira campanha na nova marca (com styling de Daniel Ueda) deixou isso bem claro. Aberta ao que acontece no mundo, extrai a essência do que é moda e aplica de um jeito funcional para quem entende o quanto é bom ser daqui.

    PRESTE ATENÇÃO: Neste novo momento de carreira, Helo Rocha, que já é membro afetivo da família ELLUS há algum tempo, participará de uma ação especial que montaremos em algumas semanas. Aguardem ;-)

    TELEVISÃO: Cauã Reymond

    Há quem se esqueça que Cauã Reymond surgiu na TV em “Malhação”. Em 12 anos de carreira, foram mais de 20 personagens, sendo dez deles em longa-metragens, ganhando confiança de diretores para projetos mais densos e maduros. O primeiro contato com a atuação surgiu no final dos anos 1990, quando fez seu primeiro curso de atuação enquanto trabalhava como modelo em Nova York.

    Bem antes de se tornar um dos rostos mais fortes do Brasil, já posava para lentes de fotógrafos como Bruce Weber, Mario Testino, Terry Richardson e Karl Lagerfeld. Sem abandonar de vez a moda, que vez ou outra surge (como você sabe, ele é o rosto da ELLUS há três estações), Cauã agora se prepara para o mais maduro de seus projetos: sua estreia como diretor no longa “Azuis”, em parceria com Mario Canivello.

    PRESTE ATENÇÃO: No primeiro protagonista de Cauã em uma novela das 21h da TV Globo. Ele estreou como Juliano há uma semana em “Regra do jogo” e será o vingador da nova trama do diretor João Emmanuel Carneiro (do marco “Avenida Brasil”, de 2012).

    LITERATURA: Clara Averbuck

    A escritora está entre os nomes que desmistificam o feminismo no Brasil. É um dos baluartes da geração 2.0 da internet, com um blog que mudou a forma que as mulheres eram percebidas no cyberespaço. Autodidata, sempre odiou a escola e não durou um semestre nas faculdades de Jornalismo e Letras.

    Entretanto, teve foco para publicar cinco livros, ser colunista e movimentar a internet falando de uma forma clara sobre o quanto opiniões machistas precisam ser desconsideradas com urgência. Seus escritos são considerados literatura de consumo, com influências da subcultura pop. E se, para muitos, a ideia do pop é um fator de descredibilidade, a obra de Clara vem despertando cada vez mais interesse de diretores de teatro e cinema.

    PRESTE ATENÇÃO: Assista “Nome próprio”, longa de Murilo Salles de 2007 que usou como referência três livros de Clara (que acabou sendo escalada para a produção). Protagonizado por Leandro Leal, o filme tem trailer disponível no YouTube.

    NOITE: Facundo Guerra

    Com personalidade low profile graças a timidez desmedida, Facundo Guerra se tornou o principal agitador cultural da noite paulistana. Proprietário do Grupo Vegas, o empresário hoje emprega 300 funcionários nos bares Z Carniceria, Volt e Riviera, e nos clubes Lions, Yatch e Cine Joia.

    Sem ter tempo de aproveitar nem mesmo o mais novo dos seus espaços, Facundo ignora riscos e investe o lucro em um próximo. Seu plano é aumentar a lista com quase dez novos empreendimentos em dois anos. Dois deles já estão em obras: uma casa de shows onde ficava o Aeroanta, no Largo do Batata, e o Museu do Agora, espaço de cultura nas proximidades da Avenida Paulista. A ideia de Facundo é continuar, o que faz com que muita gente não pare. Ainda bem.

    PRESTE ATENÇÃO: Ele inaugurou em 17 de agosto o espaço multidisciplinar Mirante de 9 de Julho, que ficou 78 anos sem uso. O lugar reúne galeria, música, cinema e gastronomia, tudo ao ar livre.

    31/08/2015_10:00
    COM O LANÇAMENTO DE “HOMEM-FORMIGA”, RELEMBRAMOS OS 10 PRIMEIROS FILMES DE HERÓIS DA MARVEL PARA O CINEMA

    por IGOR FIDALGO E LUA SARAIVA

    Com a estreia de “Homem-Formiga” nos cinemas, uma antiga pergunta que os fãs de quadrinhos vêm se fazendo foi respondida: por que um dos heróis mais populares da Marvel, que vem a ser um dos principais fundadores dos Vingadores, não aparece no filme seminal de 2012? O motivo era ululante: a história de Hank Pym, o genial cientista que inventou um traje que miniaturiza qualquer pessoa que o veste, merecia ser contada a contento.

    Para o filme que acaba de entrar em cartaz, Michael Douglas ficou com o papel de Pym, mas o foco da história é Scott Lang, ladrão recém-saído da prisão e que é procurado pelo cientista para assumir a sua persona heróica. Protagonizado pelo ator cult Paul Rudd (de “Clueless – Patricinhas de Beverly Hills”, de 1995, e “As vantagens de ser invisível”, de 2012), os efeitos fantásticos de “Homem Formiga” funcionam como uma versão 2015 de “Querida, encolhi as crianças” (1989) mas, o que vale mesmo, é ver o aparecimento em tela grande da épica Vespa (personagem igualmente importante da Marvel, também fundadora dos Vingadores).

    Mulher de Hank Pym, a heroína com asas de libélula morreu em uma operação de guerra mas o cientista passou anos aperfeiçoando o seu traje e tudo indica que a Evangeline Lilly (a eterna Kate, de “Lost”), filha da Vespa original, vai assumir o papel da mãe na continuação de “Homem-Formiga”.

    Inspirados pela mais nova adaptação da Marvel, vamos relembrar os primeiros dez filmes de cada herói que não sai da nossa cabeça. Segura o fôlego.

    “X-MEN” (2000)

    Os quadrinhos de X-Men geraram uma indústria de personagens mutantes e sua primeira versão cinematográfica deu vida a essas legiões, dando forma e se tornando um clássico de sci-fi. O longa é emocionante e a visão circunspecta do inventivo Bryan Singer contribuiu para que o filme superasse as expectativas dos fãs.

    A variedade de efeitos especiais simultâneos não permite que o telespectador fique entediado e o roteiro é inteligente e significante. As performances são excelentes, especialmente a de Patrick Stewart, que nunca deixa de demonstrar a paz e o autocontrole que o Professor Charles Xavier sempre se esforçou em manter. Classificado como “o ideal platônico dos filmes baseados em quadrinhos”, a qualidade é considerada tão exímia pelos críticos que até quem não é fã dos HQs corre o risco de se tornar um grande admirador.

    “HOMEM ARANHA” (2002)

    O primeiro da franquia que balançou com o emocional de qualquer fã dos HQ’ da Marvel. Apesar do formato do filme ser bastante convencional, sobra espaço para surpresas e inputs artísticos. Quem não lembra da cena da morte do tio Ben, da luta lendária com o Duende Verde ou do famoso beijo de cabeça para baixo protagonizado pelo aracnídeo e Mary Jane Watson?

    “Com grandes poderes, vem grandes responsabilidades” foi a frase ícone do filme e nós dizemos que Toby Maguire deu conta do recado. A versão emo do repórter fotográfico no filme de 2007, quando ele foi dominado pelo alienígena Venom, também merece ser lembrada.

    “DEMOLIDOR” (2003)

    Foi Ben Affleck quem deu vida à primeira versão de um dos personagens mais populares da Marvel Comics. O herói cego, que já ganhou uma segunda adaptação (está no ar a série “Daredevil” no NetFlix), surgiu na tela grande em um thriller de ação que ganhou ainda mais força por conta de sua fotografia obscura.

    Para contar a história do advogado que, de noite, se torna um justiceiro que luta e salta por conta de sentidos aguçados, o diretor e roteirista Mark Steven Johnson apostou em ingredientes clássicos: uniforme e direção de arte a la Batman e lutas no estilo “Matrix”.

    “O QUARTETO FANTÁSTICO” (2005)

    A extravagante adaptação para a tela da mais longa série de quadrinhos da Marvel é uma lufada de ar fresco. A natureza charmosa da produção de Tim Story lhe confere um toque despretensioso, concedendo à obra uma qualidade flutuante entre as sequências de ação.

    Mas é preciso ser sincero: nem o papel de psicopata nefasto de Julian McMahon, o Dr. Doom, salvou a franquia que foi a segunda tentativa de adaptação para a tela grande (a primeira, de 1994, foi direto para a televisão).

    “HULK” (2003)

    A versão posterior a esta aventura explosiva, que teve como estrela o prolífico Edward Norton (que viveu o rebelde Jack, de “O clube da luta”) em 2008, contou com orçamento milionário de 150 milhões de dólares e, ainda assim, não conquistou uma reputação superior a adaptação de Ang Lee.

    A edição magistral de Timothy Squyres, similar ao design de um comic book, transmite uma declaração visual digna de nota. A sua determinação em explorar a profundidade do dilema interior de Hulk também é surpreendente. O filme começa lento, com um desenvolvimento admirável dos personagens, em especial ao Dr. Bruce Banner interpretado por Eric Bana.

    “HOMEM DE FERRO” (2008)

    À exceção do Wolverine de Hugh Jackman, nenhum outro ator hollywoodiano se enquadrou tão bem em um personagem da Marvel como Robert Downey Jr. e o seu Homem de Ferro. Arrogando e irônico como dizem Downey Jr. ser na vida real, Tony Stark foi como um presente para ator, dado aos severos problemas públicos que nutriu em relação a álcool e drogas, e cuja carreira andava meio moribunda.

    Além desta espinha dorsal canastrona do protagonista, a produtora de casting, Sarah Finn, acertou em cheio na escolha de Gwyneth Paltrow para viver a secretária Pepper Potts. Que, de tão dedicada, acaba se casando com o bilionário excêntrico. 

    “WOLVERINE” (2009)

    Agressiva e voraz, a película com foco no personagem mais colérico de X-Men é repleta de aventura. O espetáculo de efeitos especiais só não é mais cativante do que o desempenho de Hugh Jackman como o mutante que, além dos sentidos aguçados e do fator de cura, tem garras feitas com o metal mais resistente do mundo, o adamantium.

    Ponto também para a performance dinâmica de Liev Schreiber como Dentes de Sabre (que nunca foi irmão de Logan nos quadrinhos, fique sabendo disso), e para a direção carregada de uma poética destruidora de Gavin Hood.

    “THOR” (2011)

    Produzido com integridade e paixão, e adaptado com o bom humor dos quadrinhos, esta versão tem uma pegada Blockbuster de verão. Temperando seu script com sagacidade e apenas uma pequena dose de romance, a fantasia épica de Kenneth Branagh é interessante particularmente pelos personagens dúbios.

    O herói principal é vivido pelo charmoso (e grandão) Chris Hemsworth e o longa ganha um peso Shakespeariano com a exploração de temas como rivalidade entre irmãos, emoções epopeicas e um conflito edipiano.

    “CAPITÃO AMERICA” (2011)

    Se fãs xiitas defendem o filme de de baixo orçamento de 1990, por conta de uma suposta fidelidade ao HQ, Chris Evans (que já tinha experimentado a dor e a delícia de ser um herói da Marvel quando deu vida ao Tocha Humana em “Quarteto fantástico”) lavou a nossa alma. A trama ambientada em 1942 mostra como o franzino Steve Rogers conseguiu se tornar a cobaia viva para um projeto que transformava homens comuns em superssoldados durante a Segunda Guerra Mundial.

    E se os tais fãs saudosistas adoravam o Caveira Vermelha tosco de Scott Paulin, o conceito foi ressignificado com o versão nazista de Hugo Weaving, a eterna drag sentimental de “Priscila – a Rainha do deserto”. 

    “VINGADORES” (2012)

    É fascinante como Joss Whedon conduz as relações dos personagens de Vingadores, que inclui performances impecáveis de superestrelas como Robert Downey Jr., Chris Evans e Scarlett Johansson. As performances marciais e os sorrisos de canto de boca da atriz encarnada de Viúva Negra, inclusive, é algo que deve-se prestar bastante atenção.

    Administrando interações orgânicas com sucesso, o diretor se certificou de que cada um dos personagens fosse verdadeiro e trouxesse sua personalidade (a partir de seu respectivo filme) à mesa. Observando como histórias em quadrinhos remontam a década de 1960, pode-se dizer que ele não apenas fez sua lição de casa, mas se preocupou profundamente com a sua contribuição em um legado.

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