• 07/09/2015_10:00
    7 DE SETEMBRO: SETE ARTISTAS BRASILEIROS QUE MANTÉM NOSSA INDEPENDÊNCIA CULTURAL

    por RAISA CARLOS DE ANDRADE

    Se existe um ponto no qual o País alcançou sua independência e permanece com devoção, este é a cultura. Celebramos a nossa liberdade com quem não deixa de alavancar o Brasil e faz ver que, em tempos atuais, podemos tentar ignorar assuntos pesados relacionados à crise quando nos debruçamos nos nossos valores artísticos.

    A seguir, sete nomes para afastar qualquer saudosismo. Em comum, o talento e aquela estranha mania de ter fé na vida para entender o momento exato de apostar. Diante do clamor pelo “Independência ou Morte” declarado há exatos 193 anos, seguimos brasileiramente firmes quando se trata de mentes culturais que criam.

    MÚSICA: Alice Caymmi

    O sobrenome imponente não é nenhuma novidade. Neta de Dorival, sobrinha de Nana e Dori e filha de Danilo, Alice herdou a potência vocal da família e, em “Rainha dos Raios”, seu segundo e iconoclasta álbum, consegue aferir sobre arte, politeísmo e amor com a sua música e a sua imagem.

    Nada a comprime: possui opiniões fortes até mesmo em entrevistas, maquiagem marcada e corpo que quebra regras em meio a uma ditadura de beleza sem fim. A verdade é que Alice deixa os limites distantes do que foi prescrito e essa mistura, que foge da delicadeza, é a principal razão pela qual Paulo Borges tenha se encantado a ponto de ser o diretor artístico desta turnê.

    PRESTE ATENÇÃO: Nas releituras em samba-canção e bolero eletrônico que ela faz de “Princesa”, hit funk noventista de MC Marcinho, e “Meu mundo caiu”, hino da fossa imortalizado por Maysa, respectivamente (clique nos nomes das músicas para ouvi-las no Spotify). 

    CINEMA: Karim Aïnouz

    O cineasta de origem argelina é o nome por trás de “Madame Satã” (2002), “O céu de Suely” (2002) e, o mais recente deles, “Praia do Futuro”. O filme de 2014 se tornou assunto ao colocar Wagner Moura vivenciando um romance com o ator alemão Clements Schick e, no lançamento, Aïnouz sabia o quanto este debate seria pertinente. Pois afinal, vivemos um tempo em que a morte de um homossexual a cada 28 horas ainda é uma realidade no Brasil.

    Nascido em Fortaleza, o diretor e roteirista hoje se divide entre suas origens, São Paulo e Berlim e, talvez por isso, “Praia do Futuro” (cuja resenha completa no jornal online The New Frame Post merece ser lida) vale também pela impecável direção de arte oitentista e por “Helden”, versão em alemão de “Heroes”, de David Bowie, ser a música-tema.

    PRESTE ATENÇÃO: Em “Viajo porque preciso, volto porque te amo”, filme de 2009 alavancado pelo clima contemplativo que por, muito tempo, esteve presente em tudo que o diretor fez. E fique ligado também no seu projeto mais recente, estartado em março desse ano, “Velázquez ou o realismo selvagem”.

    ARTE: Mauricio Ianes

    O artista plástico santista é formado pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e sempre se interessou por diversos campos na cultura. Na moda, foi diretor criativo da extinta Zapping, consultor de estilo de Walter Rodrigues e, desde o icônico desfile de formação de Alexandre Herchcovitch na Faculdade Santa Marcelina em 1993, colabora em styling e branding nos desfiles e campanhas do estilista paulistano.

    Nas artes, Ianes já participou de dez exposições, entre mostras individuais e coletivas. Após residências artísticas na Cité Internacionale des Arts, em Paris e no Quartier 21, em Viena, levou dois de seus projetos à Bienal de Arte de SP, sendo uma instalação, questionando o papel do público na comunicação da arte, e uma performance, na qual caminhou nu por duas semanas em um andar vazio do prédio.

    PRESTE ATENÇÃO: Agenciado pela Galeria Vermelho, de São Paulo, Ianes integra anualmente a programação do Verbo, festival internacional de performance, e foi um dos artistas brasileiros inseridos na residência de Marina Abramović no Sesc Pompéia (veja vídeo de uma de seus apresentações aqui).

    MODA: Helô Rocha

    Após anos à frente da Têca, a estilista Helô Rocha declarou morte da sua marca original para, em seguida, dar luz a duas grifes batizadas com seu nome e sobrenome. Dividida entre as linhas Helô Rocha Black, especializada em moda couture, e Helô Rocha White, para looks casuais, Helô continua investindo na estamparia como o seu ponto de convergência.

    Ela está no time dos estilistas ao que o Brasil está atento e sua primeira campanha na nova marca (com styling de Daniel Ueda) deixou isso bem claro. Aberta ao que acontece no mundo, extrai a essência do que é moda e aplica de um jeito funcional para quem entende o quanto é bom ser daqui.

    PRESTE ATENÇÃO: Neste novo momento de carreira, Helo Rocha, que já é membro afetivo da família ELLUS há algum tempo, participará de uma ação especial que montaremos em algumas semanas. Aguardem ;-)

    TELEVISÃO: Cauã Reymond

    Há quem se esqueça que Cauã Reymond surgiu na TV em “Malhação”. Em 12 anos de carreira, foram mais de 20 personagens, sendo dez deles em longa-metragens, ganhando confiança de diretores para projetos mais densos e maduros. O primeiro contato com a atuação surgiu no final dos anos 1990, quando fez seu primeiro curso de atuação enquanto trabalhava como modelo em Nova York.

    Bem antes de se tornar um dos rostos mais fortes do Brasil, já posava para lentes de fotógrafos como Bruce Weber, Mario Testino, Terry Richardson e Karl Lagerfeld. Sem abandonar de vez a moda, que vez ou outra surge (como você sabe, ele é o rosto da ELLUS há três estações), Cauã agora se prepara para o mais maduro de seus projetos: sua estreia como diretor no longa “Azuis”, em parceria com Mario Canivello.

    PRESTE ATENÇÃO: No primeiro protagonista de Cauã em uma novela das 21h da TV Globo. Ele estreou como Juliano há uma semana em “Regra do jogo” e será o vingador da nova trama do diretor João Emmanuel Carneiro (do marco “Avenida Brasil”, de 2012).

    LITERATURA: Clara Averbuck

    A escritora está entre os nomes que desmistificam o feminismo no Brasil. É um dos baluartes da geração 2.0 da internet, com um blog que mudou a forma que as mulheres eram percebidas no cyberespaço. Autodidata, sempre odiou a escola e não durou um semestre nas faculdades de Jornalismo e Letras.

    Entretanto, teve foco para publicar cinco livros, ser colunista e movimentar a internet falando de uma forma clara sobre o quanto opiniões machistas precisam ser desconsideradas com urgência. Seus escritos são considerados literatura de consumo, com influências da subcultura pop. E se, para muitos, a ideia do pop é um fator de descredibilidade, a obra de Clara vem despertando cada vez mais interesse de diretores de teatro e cinema.

    PRESTE ATENÇÃO: Assista “Nome próprio”, longa de Murilo Salles de 2007 que usou como referência três livros de Clara (que acabou sendo escalada para a produção). Protagonizado por Leandro Leal, o filme tem trailer disponível no YouTube.

    NOITE: Facundo Guerra

    Com personalidade low profile graças a timidez desmedida, Facundo Guerra se tornou o principal agitador cultural da noite paulistana. Proprietário do Grupo Vegas, o empresário hoje emprega 300 funcionários nos bares Z Carniceria, Volt e Riviera, e nos clubes Lions, Yatch e Cine Joia.

    Sem ter tempo de aproveitar nem mesmo o mais novo dos seus espaços, Facundo ignora riscos e investe o lucro em um próximo. Seu plano é aumentar a lista com quase dez novos empreendimentos em dois anos. Dois deles já estão em obras: uma casa de shows onde ficava o Aeroanta, no Largo do Batata, e o Museu do Agora, espaço de cultura nas proximidades da Avenida Paulista. A ideia de Facundo é continuar, o que faz com que muita gente não pare. Ainda bem.

    PRESTE ATENÇÃO: Ele inaugurou em 17 de agosto o espaço multidisciplinar Mirante de 9 de Julho, que ficou 78 anos sem uso. O lugar reúne galeria, música, cinema e gastronomia, tudo ao ar livre.

    31/08/2015_10:00
    COM O LANÇAMENTO DE “HOMEM-FORMIGA”, RELEMBRAMOS OS 10 PRIMEIROS FILMES DE HERÓIS DA MARVEL PARA O CINEMA

    por IGOR FIDALGO E LUA SARAIVA

    Com a estreia de “Homem-Formiga” nos cinemas, uma antiga pergunta que os fãs de quadrinhos vêm se fazendo foi respondida: por que um dos heróis mais populares da Marvel, que vem a ser um dos principais fundadores dos Vingadores, não aparece no filme seminal de 2012? O motivo era ululante: a história de Hank Pym, o genial cientista que inventou um traje que miniaturiza qualquer pessoa que o veste, merecia ser contada a contento.

    Para o filme que acaba de entrar em cartaz, Michael Douglas ficou com o papel de Pym, mas o foco da história é Scott Lang, ladrão recém-saído da prisão e que é procurado pelo cientista para assumir a sua persona heróica. Protagonizado pelo ator cult Paul Rudd (de “Clueless – Patricinhas de Beverly Hills”, de 1995, e “As vantagens de ser invisível”, de 2012), os efeitos fantásticos de “Homem Formiga” funcionam como uma versão 2015 de “Querida, encolhi as crianças” (1989) mas, o que vale mesmo, é ver o aparecimento em tela grande da épica Vespa (personagem igualmente importante da Marvel, também fundadora dos Vingadores).

    Mulher de Hank Pym, a heroína com asas de libélula morreu em uma operação de guerra mas o cientista passou anos aperfeiçoando o seu traje e tudo indica que a Evangeline Lilly (a eterna Kate, de “Lost”), filha da Vespa original, vai assumir o papel da mãe na continuação de “Homem-Formiga”.

    Inspirados pela mais nova adaptação da Marvel, vamos relembrar os primeiros dez filmes de cada herói que não sai da nossa cabeça. Segura o fôlego.

    “X-MEN” (2000)

    Os quadrinhos de X-Men geraram uma indústria de personagens mutantes e sua primeira versão cinematográfica deu vida a essas legiões, dando forma e se tornando um clássico de sci-fi. O longa é emocionante e a visão circunspecta do inventivo Bryan Singer contribuiu para que o filme superasse as expectativas dos fãs.

    A variedade de efeitos especiais simultâneos não permite que o telespectador fique entediado e o roteiro é inteligente e significante. As performances são excelentes, especialmente a de Patrick Stewart, que nunca deixa de demonstrar a paz e o autocontrole que o Professor Charles Xavier sempre se esforçou em manter. Classificado como “o ideal platônico dos filmes baseados em quadrinhos”, a qualidade é considerada tão exímia pelos críticos que até quem não é fã dos HQs corre o risco de se tornar um grande admirador.

    “HOMEM ARANHA” (2002)

    O primeiro da franquia que balançou com o emocional de qualquer fã dos HQ’ da Marvel. Apesar do formato do filme ser bastante convencional, sobra espaço para surpresas e inputs artísticos. Quem não lembra da cena da morte do tio Ben, da luta lendária com o Duende Verde ou do famoso beijo de cabeça para baixo protagonizado pelo aracnídeo e Mary Jane Watson?

    “Com grandes poderes, vem grandes responsabilidades” foi a frase ícone do filme e nós dizemos que Toby Maguire deu conta do recado. A versão emo do repórter fotográfico no filme de 2007, quando ele foi dominado pelo alienígena Venom, também merece ser lembrada.

    “DEMOLIDOR” (2003)

    Foi Ben Affleck quem deu vida à primeira versão de um dos personagens mais populares da Marvel Comics. O herói cego, que já ganhou uma segunda adaptação (está no ar a série “Daredevil” no NetFlix), surgiu na tela grande em um thriller de ação que ganhou ainda mais força por conta de sua fotografia obscura.

    Para contar a história do advogado que, de noite, se torna um justiceiro que luta e salta por conta de sentidos aguçados, o diretor e roteirista Mark Steven Johnson apostou em ingredientes clássicos: uniforme e direção de arte a la Batman e lutas no estilo “Matrix”.

    “O QUARTETO FANTÁSTICO” (2005)

    A extravagante adaptação para a tela da mais longa série de quadrinhos da Marvel é uma lufada de ar fresco. A natureza charmosa da produção de Tim Story lhe confere um toque despretensioso, concedendo à obra uma qualidade flutuante entre as sequências de ação.

    Mas é preciso ser sincero: nem o papel de psicopata nefasto de Julian McMahon, o Dr. Doom, salvou a franquia que foi a segunda tentativa de adaptação para a tela grande (a primeira, de 1994, foi direto para a televisão).

    “HULK” (2003)

    A versão posterior a esta aventura explosiva, que teve como estrela o prolífico Edward Norton (que viveu o rebelde Jack, de “O clube da luta”) em 2008, contou com orçamento milionário de 150 milhões de dólares e, ainda assim, não conquistou uma reputação superior a adaptação de Ang Lee.

    A edição magistral de Timothy Squyres, similar ao design de um comic book, transmite uma declaração visual digna de nota. A sua determinação em explorar a profundidade do dilema interior de Hulk também é surpreendente. O filme começa lento, com um desenvolvimento admirável dos personagens, em especial ao Dr. Bruce Banner interpretado por Eric Bana.

    “HOMEM DE FERRO” (2008)

    À exceção do Wolverine de Hugh Jackman, nenhum outro ator hollywoodiano se enquadrou tão bem em um personagem da Marvel como Robert Downey Jr. e o seu Homem de Ferro. Arrogando e irônico como dizem Downey Jr. ser na vida real, Tony Stark foi como um presente para ator, dado aos severos problemas públicos que nutriu em relação a álcool e drogas, e cuja carreira andava meio moribunda.

    Além desta espinha dorsal canastrona do protagonista, a produtora de casting, Sarah Finn, acertou em cheio na escolha de Gwyneth Paltrow para viver a secretária Pepper Potts. Que, de tão dedicada, acaba se casando com o bilionário excêntrico. 

    “WOLVERINE” (2009)

    Agressiva e voraz, a película com foco no personagem mais colérico de X-Men é repleta de aventura. O espetáculo de efeitos especiais só não é mais cativante do que o desempenho de Hugh Jackman como o mutante que, além dos sentidos aguçados e do fator de cura, tem garras feitas com o metal mais resistente do mundo, o adamantium.

    Ponto também para a performance dinâmica de Liev Schreiber como Dentes de Sabre (que nunca foi irmão de Logan nos quadrinhos, fique sabendo disso), e para a direção carregada de uma poética destruidora de Gavin Hood.

    “THOR” (2011)

    Produzido com integridade e paixão, e adaptado com o bom humor dos quadrinhos, esta versão tem uma pegada Blockbuster de verão. Temperando seu script com sagacidade e apenas uma pequena dose de romance, a fantasia épica de Kenneth Branagh é interessante particularmente pelos personagens dúbios.

    O herói principal é vivido pelo charmoso (e grandão) Chris Hemsworth e o longa ganha um peso Shakespeariano com a exploração de temas como rivalidade entre irmãos, emoções epopeicas e um conflito edipiano.

    “CAPITÃO AMERICA” (2011)

    Se fãs xiitas defendem o filme de de baixo orçamento de 1990, por conta de uma suposta fidelidade ao HQ, Chris Evans (que já tinha experimentado a dor e a delícia de ser um herói da Marvel quando deu vida ao Tocha Humana em “Quarteto fantástico”) lavou a nossa alma. A trama ambientada em 1942 mostra como o franzino Steve Rogers conseguiu se tornar a cobaia viva para um projeto que transformava homens comuns em superssoldados durante a Segunda Guerra Mundial.

    E se os tais fãs saudosistas adoravam o Caveira Vermelha tosco de Scott Paulin, o conceito foi ressignificado com o versão nazista de Hugo Weaving, a eterna drag sentimental de “Priscila – a Rainha do deserto”. 

    “VINGADORES” (2012)

    É fascinante como Joss Whedon conduz as relações dos personagens de Vingadores, que inclui performances impecáveis de superestrelas como Robert Downey Jr., Chris Evans e Scarlett Johansson. As performances marciais e os sorrisos de canto de boca da atriz encarnada de Viúva Negra, inclusive, é algo que deve-se prestar bastante atenção.

    Administrando interações orgânicas com sucesso, o diretor se certificou de que cada um dos personagens fosse verdadeiro e trouxesse sua personalidade (a partir de seu respectivo filme) à mesa. Observando como histórias em quadrinhos remontam a década de 1960, pode-se dizer que ele não apenas fez sua lição de casa, mas se preocupou profundamente com a sua contribuição em um legado.

    11/05/2015_10:00
    UMA VOLTA PELO MUNDO DE PABLO PICASSO, QUE ESTÁ EM CARTAZ NO BRASIL

    por MILENA COPPI

    Mais uma vez o Centro Cultural Banco do Brasil trás para o País a exposição de um pintor modernista espanhol. A primeira, sobre o surrealista Salvador Dalí, levou 978 mil pessoas à unidade do Rio, entre maio e setembro. Agora, é a vez do cubista Pablo Picasso invadir as galerias do CCBB-SP e Rio.

    Intitulada “Picasso e a modernidade espanhola”, a exposição trás cerca de 90 obras antes só vistas no Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofía, em Madri. É uma boa oportunidade para os brasileiros, que são fãs do pintor, mergulharem no universo do espanhol que dedicou sua carreira a retratar mulheres — na maioria das vezes, suas esposas e amantes (e, coincidentemente, todas francesas!).

    Quadros icônicos como “Cabeça de mulher” (1910) e “Retrato de Dora Maar” (1939) são algumas das obras que representam a fixação do pintor pelo universo feminino. Esse aspecto, aliás, levou diversos críticos a dividirem sua carreira em fases com os nomes de suas mulheres – “era Fernande”, “fase Marie-Thérèse”, “período Dora Maar”, entre outras. “O Pintor e a Modelo” (1963), também exposta durante a mostra, é outra obra em que o pintor explora sua visão particular, e muito original, de representar o corpo feminino.

    Picasso, no entanto, não era um pintor de uma obra só. Dono de um talento nato para as artes — que sem dúvida herdara do pai, o também artista José Ruiz Blasco —, o pintor mudou seu estilo de pintura diversas vezes na vida. Em suas obras é possível perceber a transição: de sua fase azul, conhecida por pinturas com personagens tristes, usando apenas tons de azul, à fase rosa, quando conheceu sua mulher Fernande Olivier e passou a retratar temas alegres.

    Esta fase, no entanto, não durou muito tempo. Logo, Picasso retornaria a tons mais sombrios, buscando influências em esculturas africanas que serviram de estímulo para buscar novas formas de mostrar e interpretar a realidade.

    Este foi o pontapé para que, juntamente com o pintor francês Georges Braque, criasse o cubismo, considerado um dos movimentos mais importantes da história da arte moderna. Estudos e esboços de “Guernica”, uma das obras mais importantes dessa fase, estarão em cartaz na exposição que trás também criações de 35 outros artistas espanhóis. Entre eles, Salvador Dalí, seu ex mestre, e seu amigo Joan Miró.

    “Picasso e a modernidade espanhola”, fica em cartaz até 8 de junho no CCBB-SP, quando desembarca na sede do Rio, e permanece de 24 de junho a 7 de setembro.

    18/12/2014_10:00
    ABOUT A GIRL: NOVIDADES SOBRE FRANCIS BEAN COBAIN (PARTE 2)

    por IGOR FIDALGO

    Na terça-feira, atualizamos você, leitor do Sala ELLUS, sobre a vida artística da herdeira de Kurt Cobain, a estonteante Francis Bean. Tudo por conta da notícia que movimentou a indústria da música no final deste ano: ela é a produtora executiva de “Kurt Cobain: Montage of heck”, o primeiro documentário sobre a vida do líder do Nirvana realizado colaborativamente com a sua família.

    Dirigido por Brett Morgen, o filme é uma produção da HBO e vaio ao ar no canal a cabo em 2015. Segundo o site da revista Billboard publicou, 200 horas de músicas e performances ao vivo do Nirvana nunca antes divulgadas e mais de 4 mil páginas de cifras de músicas inéditas foram colhidos para o doc.

    Morgen é autor de “Crossfire hurricane”, filme sobre os 50 anos do Rolling Stones que foi lançado há dois anos. Na ocasião, o diretor disse que imaginava “Montage of heck” (cujo nome é tirado da mixtape acima, oriunda dos anos 1980) como um “Pink Floyd The Wall” da nossa geração, citando o icônico filme de 1982 que mistura imagens documentais e animação.

    Inquietos pela possibilidade de voltarmos a ouvir Nirvana com a divulgação de novas demos no doc de Francis Bean Cobain, montamos uma lista com outros três filmes que retratam a vida e a obra do pai do grunge. Bons filmes!

    “KURT & COURTNEY” é um doc estilo thriller de 1998. Nos 95 minutos de fita, o diretor Nick Broomfield montou uma colcha de retalhos sensacionalista, unindo depoimentos de pessoas próximas ao cantor a personagens oportunistas. É o primeiro filme produzida em torno da morte de Kurt Cobain e todo o roteiro investigativo se propõe a responder: foi suicídio ou assassinato?

    “ÚLTIMOS DIAS”, o drama do aclamado Gus Van Sant, conta a história de Blake (Michael Pitt, de “Os sonhadores”), um rock star deprimido que se veste de mulher e vive isolado em uma mansão em Seattle. A obra de ficção é diretamente inspirada na vida (e na morte) de Kurt Cobain. Dica: como é uma característica na filmografia de Van Sant (diretor de “Drugstore cowboy” e “Elefante”), o filme tem planos longos e muito silenciosos. Então assista com disposição!

    “ABOUT A SON” é uma produção mais séria, de 2006. O diretor AJ Schnack montou o doc com as gravações de entrevistas concedidas ao jornalista Michael Azerrad. A voz do próprio Kurt Cobain cobre imagens melancólicas feitas nas cidades onde o músico viveu e fotografias antigas que chamaram a atenção do Festival Internacional de Cinema de Toronto

    16/12/2014_23:44
    ABOUT A GIRL: NOVIDADES SOBRE FRANCIS BEAN COBAIN (PARTE 1)

    por IGOR FIDALGO

    Mais impressionante do que saber que Francis Bean Cobain assumiu a produção executiva do primeiro documentário sobre o líder do Nirvana que será lançado com anuência familiar, é dar de cara na internet com uma mulher supersexy e provocativa, bem diferente da menina rechonchuda que posou para Elle, em 2006, com o pijama do pai.

    Pois além de ser detentora oficial de 37% dos bens de Kurt Cobain, morto há 20 anos em Seattle, Francis detém também uma beleza absurda, que dividimos com vocês nas fotos que ilustram este post.

    Muita coisa já aconteceu na vida da artista plástica, que desde bebê era figura recorrente em tabloides: devido a uma investigação de negligência familiar, ficou longe de Kurt e Courtney por alguns dias, quando tinha só duas semanas de vida.

    Desde a morte do pai, aos 2 anos, a criança vivia em uma eterna gangorra judicial: de um lado, a família Cobain; do outro, a sua mãe, a roqueira Courtney Love, constantemente acusada que ter usado heroína na gravidez da filha.

    Em 2006, quando tinha 12 anos, Francis Bean fotografou para a revista Elle com o famoso cardigã  que o pai usou no MTV Unplugged. Dois anos depois, posava como mulher altiva para a Harper’s Bazaar americana.

    Impossível não conectar os movimentos de braço e os microfones em série (abaixo) às imagens oficiais da primeira dama argentina Evita Péron, um ícone de poder. Em 2010, a profecia da Bazaar se consolidou quando Francis passou a controlar os direitos de publicidade em relação ao nome e à imagem do pai.

    Antes de atuar como artista multimídia, Francis Bean Cobain fez um estágio de três meses na revista Rolling Stone, em 2008. Mas a autoralidade falou mais alto: suas ilustrações expressionistas renderam à ela uma exposição individual dois anos depois, na Galeria La Luz de Jesus, em Los Angeles. 

    Também em 2010 participou do álbum da dupla de rock experimental Evelyn Evelyn. Junto a 19 garotas, assumiu o backing vocal da faixa “My space”. Há dois anos, participou do projeto “MIXTAPE”, onde criou uma arte para embalar a música “Black”, da banda shoegazer The Jesus and the Mary Chain.

    Difícil tirar da nossa cabeça os três cliques que abrem este post e a cena final (acima), em que Francis Bean Cobain aparece enrolada com a colcha de veludo de uma cama. As imagens foram produzidas em 2011 pelo estilista Hedi Slimane exclusivamente para o seu blog, o Rock Diary. Quem ficou curioso, pode ver todas as fotos aqui. 

    Na quinta-feira, vamos falar mais sobre “Kurt Cobain: Montage of heck”, o doc que inspirou este post, e relembrar outros três filmes que retratam direta ou indiretamente o pai do grunge.

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