• 08/08/2014_15:00

    Uma dupla de artistas surrealistas, que nunca se encontram mas aparecem juntos na histórica colagem que reproduzimos abaixo, aportou no Brasil em julho, acompanhado de outro pintor igualmente polêmico. É uma feliz coincidência: a maior retrospectiva do catalão Salvador Dalí acontece no Rio de Janeiro na mesma época em que a mostra de fotografias da mexicana Frida Kahlo é montada em Curitiba.

    Em São Paulo, no entanto, são as gravuras de Francis Bacon, que por oito anos tiveram a autenticidade discutida (já que ele só pintava e o trabalho como desenhista foi mantido no anonimato), que chama atenção do povo das artes visuais.

    Francis Bacon, um dos artista mais valorizados do século XX, ganha voz na exposição  “Italian Drawings”, que ocupa o  Paço das Artes, na USP. São 43 gravuras inéditas no País, selecionadas dentre as 350 que foram presenteadas ao namorado italiano, o jornalista Cristiano Lovatelli.

    Como Bacon não tinha o hábito de desenhar, Lavatelli precisou lutar em juizo para comprovar que o seu acervo representava importante parte do espólio deixado pelo mestre do abstracionismo. A causa tramitou de 1996 a 2004, e foi graças ao advogado do jornalista, que ficou com Bacon até sua morte, que estas raríssimas ilustrações chegam até nós.

     

    Quem mora em Curitiba atesta  que é uma oportunidade e tanto visitar a exposição “Frida Kahlo — As suas fotografias”, que não irá para outras cidades brasileiras. Está em cartaz no Museu Oscar Niemeyer (MON) o relato documental da vida e da obra da pintura mexicana, composto por 240 fac-símiles.

    São fotografias íntimas encontradas na casa da artista, na Cidade do México, onde hoje funciona um museu.

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    Os registros de Frida vão de sua infância à fase adulta, revelando ainda paixões, amizades e conflitos. Em destaque, está a relação da pintora com Diego Rivera e imagens que revelam amores com outros homens e mulheres.

    Também são retratados o seu engajamento na luta política de esquerda e a relação dela com o próprio corpo, marcado por um acidente de trans (misto de ônibus e trem). Tais sequelas foram a marca da obra que tornou Frida a artífice das expressões mexicanas. 

    E ainda dá tempo de conferir a mostra de Salvador Dalí no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), a mais completa já aberta no Brasil: são 150 obras expostas até 22 de setembro. Mesmo quem só conhece a fase surrealista do artista vai se surpreender, já que a mostra compreende a vasta trajetória do artista catalão que bebeu das fontes do cubismo, do impressionismo e da pintura abstrata.

    Pensando no hype dos #selfies que tomaram de assalto as exposições brasileiras, a curadoria da mostra dedicou uma sala inteira no fim da exposição para que o público tire os seus autorretratos. O lugar é inspirador: a sala Mae West é composta por dois quadros com ilustrações de olhos, uma escultura em forma de nariz e o celebrado Sofá Bocca, mobiliário que vem sendo reproduzido pela indústria de decoração desde a criação de Dali, em 1936.

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