• 06/03/2012_19:27

     

    Foto Reprodução

    Consuelo Blocker tem moda no DNA e está na linha de sucessão da família Pascolato com muito orgulho. Filha de Constanza, neta de Gabriela e mãe de Allegra, as meninas da tecelagem Santaconstancia são sinônimo de estilo no Brasil e Consuelo, que vive na Itália, respira estilo pelo mundo.

    Apaixonada por Internet, a bela faz sucesso na blogosfera com seu blog Moda, Estilo e Afins:  http://www.consueloblog.com/, onde descontraidamente sofisticada, leva o leitor nas suas viagens pelas semanas de moda do planeta (onde ela tem acesso a todos os desfiles), aos melhores restaurantes, a arquitetura, seus livros e sua vida mágica.

    A Sala Ellus encontrou Consuelo de malas prontas pra Paris onde ela desembarcou e já correu para assistir Hermés, John Galliano e Barbara Casasola.

    Caçadora de tendências e fashionista em tempo real, culta e cheia de histórias pra contar, conversamos com ela sobre as décadas passadas e a atual, quando a  Internet dominou nossas vidas e o que ficou das últimas temporadas. Enjoy it.

    Você vive na Europa desde 1982. Como estava a moda no Brasil neste turbilhão de modismos nos anos 80? E como foi o choque cultural com a Europa? O que te marcou mais nessa época tão divertida e ao mesmo tempo tão caótica?

    Na verdade em 82, dia 7 de setembro (profecia?), saí do Brasil para a Universidade Brown em Rhode Island nos Estados Unidos.  Fiquei lá 4 anos e depois fui morar em Nova IYork onde entrei no executive program da Bloomingdale’s.  Lá encontrei meu marido, pai dos meus filhos, que me trouxe para Florença na Itália.

    Os anos 80 foram um momento de transição incríveis que revolucionaram o modo de se comportar e vestir.  Você imagina que após a liberdade sexual dos anos 60, reação da opressão dos anos 50 e da descoberta da pílula, e do Flower Power e vestir-se unisex dos anos 70, descobriu-se o sintetizador de som, chegamos à lua (69), entramos em cheio na Guerra Fria e a AIDS foi identificada.  Tudo isso mexeu com as pessoas.  Nunca viu-se franjas e cabelos mais exagerados além dos ombros nas peças tão exaltados.  O unisex passou de um extremo masculino, a um muito mais feminino com o Boy George do Culture Club como exemplo.  Lembrem-se também que a Lycra não era difundida, e para colocarmos um jeans (que usava-se bem apertado) deitávamos no chão! Se por azar (o que aconteceu comigo) teu namorado vinha te buscar com um carro esportivo, você se jogava (delicadamente) no banco, mas nunca mais levantava!! Rsssss.  Logo, logo, chegaram porém os jeans baggy com cintura alta da Marithé e Francois Girbaud!  Eu ainda buscava o meu estilo, e na universidade americana, os problemas políticos reinavam aos modismos, e o nosso era um vestir-se bem basic: jeans e t-shirt.

    Chegamos nos anos 90. A Moda no Brasil se profissionalizou e popularizou. Entramos no calendário mundial das Semanas de Moda com o Morumbi Fashion, o Phytoervas, o Hot Spot. Os clubs paulistanos não deviam nada a Londres e Nova York no quesito nightlife, a cultura underground ressurgia nas lentes dos fotógrafos, nosso principal jornal publicava uma coluna sobre a cultura GLBT e o grunge ecoava nos palcos de rock do país. Que país era esse pra você, era tão moderno quanto parecia?

    O Brasil é moderno de coração, especialmente quando falamos de música e dança.  Portanto o underground foi amazing na época! A moda brasileira tem um estilo seu, e gosto quando ela olha para o mundo mas busca nas raízes do nosso país sua identidade.  Os anos 90, lá fora, foram o começo também do minimalismo japonês da Comme des Garçons.  De repente, nos vestimos todos de preto e viramos uma silhueta zerada por esse breu!  A organização da moda, como vejo eu, é uma estratégia comercial que sem dúvida ajudou a indústria nacional a se organizar.  Mas enquanto o underground podia ser avant-garde, o dia-a-dia era um adolescente descobrindo a sua personalidade.

    Anos 2000. A Internet entrou na vida das pessoas como um cometa. A moda engoliu a nova mídia. Tudo seria diferente sem nossos Macs e PCs, os blogs, os sites, as redes sociais, os smartphones. E agora?

    Na verdade, a força dos blogs, e-commerce sites, redes sociais (curiosidade: você conhece a teoria dos 6 graus de separação?  Com as redes sociais, este número diminui para 4.7!) realmente começaram a pegar nos últimos 5 anos. Não tenho NENHUMA dúvida que tudo isto será o modo como enfrentaremos o futuro.  Temos que entender que as plataformas web são ferramentas poderosíssimas e é uma pena fazer delas simplesmente revistas digitais.  Temos que explorar o potencial e criar novos patamares.  Achei bacanérrimo o jeito que a Ellus quer inserir música no seu site.  É um modo de usar a flexibilidade destes mecanismos.

    Como caçadora de tendências, quais as próximas?

    Tem uma volta à alfaiataria e volumes mais soltos.

    Como saudosista, quais as clássicas?

    Terninhos acinturados bem curtinhos, com grandes cintos statement e calças justas mas não apertadas que param no tornozelo.

    O que gostou mais no desfile da Ellus no Inverno 2012?

    A incrível alfaiataria, uso de materiais e cores…além da atitude: mulher forte.  Sempre é um dos meus temas favoritos!!

    O que está mais na moda no ano de 2011, agora que todo mundo entende de moda?

    Esmalte!!! Rsssss!!! No Brasil e na maioria do mundo do povo jovem é o mini short.  Para os adultos é alfaiataria!  E tudo muito colorido!

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